00:00:00
08 Jan

Aumento da longevidade exige cuidados com o futuro financeiro

15 de maio de 2025
268 Visualizações

Em um Brasil onde a população envelhece rapidamente e vive cada vez mais, a previdência complementar surge como peça-chave para garantir dignidade às próximas gerações. Foi essa a mensagem principal do painel “A importância do engajamento institucional e da visão de longo prazo nos planos de caráter previdenciário para o futuro dos brasileiros”, realizado na última segunda-feira (12), durante o evento “Seguros para Todos: educação financeira, vulnerabilidade socioeconômica e seguros inclusivos”, no auditório do Ministério da Educação, em Brasília, como parte da 12ª Semana Nacional de Educação Financeira (Semana ENEF).

O painel reuniu especialistas e representantes do governo para discutir os desafios da previdência em meio à explosão da longevidade, à informalidade crescente e ao imediatismo de uma sociedade cada vez mais seduzida por apostas e prêmios fáceis.

Narlon Gutierre Nogueira, do Ministério da Previdência Social, fez um alerta: o Brasil já não é um país jovem. “Estamos vivendo um processo acelerado de envelhecimento populacional, com menos nascimentos, mais informalidade e uma força de trabalho encolhendo.”

O ciclo de vida das pessoas, segundo ele, precisa sair do modelo antigo — estudar, trabalhar e se aposentar — para uma lógica mais fluida, com múltiplos ciclos de estudo e trabalho. E isso exige investimentos pessoais contínuos, não só em dinheiro, mas em produtividade, saúde e qualificação ao longo da vida.

R$ 240 bilhões em bets, e nada para o futuro

Um dos principais questionamentos veio de Ângela Assis, presidente da Brasilprev e vice-presidente da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi), que afirmou que “as pessoas dizem que não têm dinheiro para poupar, mas em 2024 gastaram R$ 240 bilhões em apostas nas bets — mais que o dobro do que gastamos com seguros de vida e automóvel.”

Segundo pesquisa da FenaPrevi, 65% dos brasileiros acreditam que precisam se preparar financeiramente para o futuro, mas a maioria afirma que não consegue guardar dinheiro. “O imediatismo fala mais alto que o planejamento. Mas se alguém gasta R$ 3 mil por ano em apostas, poderia aplicar R$ 250 por mês em um plano de previdência e garantir um bom complemento de renda no futuro”, completou Ângela.

A previdência complementar é para todos

Paulo Miller, analista técnico da Susep, reforçou a necessidade de levar a previdência onde o Estado não consegue mais chegar. “Cada vez mais, dependeremos menos da previdência pública. Precisamos de mecanismos alternativos. E a previdência complementar, especialmente a aberta, pode atender trabalhadores informais e autônomos com planos flexíveis.”

Mas por que, então, tantos brasileiros continuam de fora? “Falta educação previdenciária e uma comunicação mais simples. Precisamos começar essa conversa já na educação básica. Hoje, as pessoas não entendem nem os conceitos mais básicos de um plano de previdência”, alertou.

Ele destacou ainda iniciativas da Susep para estimular inovação no setor, como o novo laboratório em parceria com o IMPA (Instituto de Matemática Pura e Aplicada), focado em inteligência artificial para seguros e previdência.

Planos de previdência para uma vida que não cabe mais em um roteiro fixo

Alcinei Rodrigues, da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), trouxe um recorte sobre os planos fechados de previdência, que hoje acumulam cerca de R$ 1,3 trilhão em reservas e pagam R$ 105 bilhões por ano a cerca de 8 milhões de pessoas (incluindo os beneficiários). O modelo, sólido e tradicional, começa a se transformar. “Com as pessoas trocando de emprego com mais frequência, é mais difícil mantê-las no sistema. O desafio é garantir que esses trabalhadores não tenham uma queda de renda na aposentadoria”.

A nova realidade, segundo ele, exige uma reengenharia do setor: planos mais simples, flexíveis e que incentivem o participante a permanecer no sistema, aumentando a contribuição ao longo do tempo.

Além de simplificar e educar, o setor também precisa de apoio institucional. Para Ângela Assis, é hora de ampliar os incentivos para que empresas de todos os portes contribuam com a aposentadoria dos seus funcionários. “A previdência complementar é ainda mais importante para quem não é rico. Com R$ 50 por mês, já é possível começar. Mas precisamos tornar isso mais vantajoso também para os empregadores.”

Se viver mais é uma dádiva, preparar-se para isso é uma urgência. O painel terminou com uma mensagem clara: o Brasil precisa abandonar o pensamento de país jovem e encarar o futuro com planejamento, inovação e uma nova cultura previdenciária.

Assessoria de Imprensa da CNseg

You may be interested

Aportes em planos de previdência privada aberta caem 19,6%
FenaPrevi
14 Vizualizações
FenaPrevi
14 Vizualizações

Aportes em planos de previdência privada aberta caem 19,6%

Publicação - 8 de janeiro de 2026

Relatório da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida — Fenaprevi sobre o mercado de previdência privada aberta evidencia mais uma queda nos aportes. Nos onze primeiros…

O salto qualitativo na construção da cultura de Compliance
MDS Brasil
31 Vizualizações
MDS Brasil
31 Vizualizações

O salto qualitativo na construção da cultura de Compliance

Publicação - 8 de janeiro de 2026

O termo Compliance (em português, conformidade) já deixou de ser uma mera tendência ou um custo operacional para se firmar como um pilar estratégico e ético indispensável…

Nova lei reforça práticas já consolidadas
Pottencial Seguradora
130 Vizualizações
Pottencial Seguradora
130 Vizualizações

Nova lei reforça práticas já consolidadas

Publicação - 7 de janeiro de 2026

A Lei 15.040/24, sancionada em dezembro de 2024 e que entrou em vigor no final do ano inaugura oficialmente um novo marco legal para o mercado de…

Deixe um Comentário

Seu endereço de email não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Mais desta categoria

WordPress Video Lightbox Plugin