O mercado segurador brasileiro é um dos principais da América Latina na oferta de produtos e de inovação, que foi ainda mais evidenciada a partir de 2020 com o surgimento acelerado de insurtechs, como são conhecidas as startups de seguros. Um estudo amostral, conduzido entre 2021 e 2022 pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), analisou os motivos que impulsionaram o crescimento deste modelo de negócios e concluiu que as mudanças na economia e na indústria seguradora ajudaram a tornar o ambiente atrativo aos empreendedores e a atingir um nível de organização bastante maduro em todo o ecossistema.
Há cerca de dois anos, a quantidade destas empresas ainda era tímida, mas as transformações sentidas pelo mercado após 2019 possibilitaram a criação de mais insurtechs. Segundo dados mais recentes do Digital Insurance Latam, o Brasil é considerado o motor da América Latina neste modelo de negócio. Das 464 startups de seguros em funcionamento na região, 35% são brasileiras. Somente em 2022, ante 2021, o crescimento destas empresas foi de 32%.
O ano de 2021, em específico, foi muito promissor para as startups no Brasil, pois o volume de investimentos em venture capital, que são fundos voltados para aporte de recursos neste tipo de negócio, triplicou em um ano, passando de R? 14,6 bilhões para R? 46 bilhões, conforme pesquisa divulgada pela Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCAP).
As fintechs e as insurtechs foram as que mais receberam investimentos nesse período, R? 17,3 bilhões, o que representou 38% do total. As dez maiores rodadas de investimentos em insurtechs, em 2021, ultrapassaram meio bilhão de reais. Destas empresas, na ocasião do estudo, mais da metade estava participando do Sandbox (ambiente regulatório experimental) da Superintendência de Seguros Privados (Susep): Justos, Pier, Iza, Darwin Seguros, 88i e Flix.
O Sandbox foi um dos pontos identificados pelo estudo como catalisador da transformação do ambiente das insurtechs, pois reduziu as barreiras regulatórias para novos entrantes e flexibilizou regras e normas. Além deste, o bom desempenho do setor financeiro brasileiro e a mudança do comportamento do consumidor, com destaque para o avanço da digitalização no setor e a maior preocupação com a prevenção a riscos, foram essenciais para o crescimento dessas empresas.
As empresas participantes da análise informaram que existem três principais motivos que estimulam a criação das insurtechs: contribuir com produtos e serviços inovadores no mercado tradicional de seguros, fornecer soluções tecnológicas e atuar como canal de distribuição digital. Um consenso entre as empresas foi de que existe um mercado não explorado pelas seguradoras tradicionais.
Para o presidente da Comissão de Inteligência de Mercado, Gilberto Garcia, as insurtechs não ameaçam os negócios já existentes, uma vez que há espaço para muitos. “Um dos grandes desafios das seguradoras, na opinião dos entrevistados, é a falta de tempo para as áreas de negócios se dedicarem ao desenvolvimento de novos produtos ou ao conhecimento e implantação das tendências tecnológicas, com isso, as insurtechs podem atuar como parceiras, pois já nascem tecnológicas e conseguem pensar fora da caixa, propondo jornadas e perspectivas diferentes. O benefício para a seguradora é ter alguém pensando de forma diferente do seu dia a dia, não somente focado em resultados”, explica.
A expectativa é a mesma entre todos os atores do ecossistema, de que este movimento ganhe, nos próximos anos, ainda mais relevância e traga muitas mudanças e inovações para o mercado de seguros. Como oportunidades, a pesquisa destacou que os dois principais destaques são a parceria entre as seguradoras e insurtechs, dois principais personagens do ecossistema de inovação em seguros, para benefícios mútuos e a inspiração para a criação de novos modelos de negócio. “Estar presente e aberto a este novo ecossistema é o que irá garantir ao nosso setor a reinvenção necessária e comum a todos os demais setores existentes”, conclui Garcia.
Hill + Knowlton Brasil
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