As vendas de veículos elétricos (EVs) devem manter uma evolução positiva em 2023, mesmo diante do cenário de inflação global e juros elevados, que desencorajam o consumo de bens mais caros pelas famílias. A avaliação é de Simon Lacoume, economista do Grupo Coface, que é especializado nos setores Agroalimentar e de Metais.
“Em 2023, a previsão é que a venda de carros elétricos, em todo o mundo, chegue a 14 milhões de unidades, o que representa um aumento de 35% no ano. No primeiro trimestre de 2023, mais de 2,3 milhões de veículos elétricos foram comercializados no planeta, índice 25% maior em relação ao primeiro trimestre de 2022. Como resultado, os EVs globais podem representar 18% das vendas totais em 2023. É algo muito positivo, se comparado com uma análise geral do setor automotivo”, disse Lacoume, durante o webinar “Desafios e oportunidades globais para o setor Automotivo|Metalúrgico”, realizado pela Coface.
O economista ressaltou que a China tem um papel importante na expansão do mercado de veículos elétricos. Com incentivos públicos, o país asiático respondeu por 59% das vendas globais de modelos eletrificados no primeiro trimestre de 2023. Além disso, veículos elétricos representaram cerca de 40% das exportações de automóveis da China.
“Há uma grande aceitação de veículos elétricos entre os chineses, com o governo apoiando o consumo. A China é hoje o maior mercado de carros elétricos, o que deve totalizar 40% das vendas globais até 2030. No entanto, o corte de subsídios na compra de EVs pode impactar negativamente as vendas em 2023”, afirmou.
Lacoume disse ainda que o aumento na demanda por veículos elétricos está impulsionando a procura por baterias e minerais críticos relacionados ao segmento. Em 2022, cerca de 60% da demanda por lítio, 30% de cobalto e 10% de níquel foram para uso em baterias de veículos elétricos.
Segundo o economista da Coface, a cadeia de valor se mantém concentrada. Em 2021, a China refinou 60% da produção de lítio do mundo, representando 77% da capacidade global de produção de células de bateria. O país asiático é ainda o responsável por 60% da fabricação mundial de componentes de bateria.
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Tamer Comunicação
Foto: Simon Lacoume, economista do Grupo Coface
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