O superintendente de Estudos e Projetos Especiais da FenaSaúde, Sandro Leal Alves, retratou de forma abrangente a situação da Saúde Suplementar no País, durante seminário realizado pelo Clube de Seguros de Pessoas de Minas Gerais (CSP-MG), no dia 20 de setembro, no auditório do SindSeg MG/GO/MT/DF, em Belo Horizonte.
Leal apresentou um raio X do setor que hoje é representado por 700 empresas, que movimentam cerca de 3% do PIB brasileiro, empregam 4,7 milhões de pessoas. Aproximadamente 25% da população, ou seja, 48,9 milhões são beneficiários dos planos privados de saúde.
Na sequência, falou sobre os impactos da pandemia da Covid-19 na área da Saúde Suplementar. Segundo levantamento da FenaSaúde, no segundo trimestre de 2022 as operadoras de planos médico-hospitalares tiveram o pior resultado operacional da série histórica divulgada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS): um prejuízo de R$ 4,4 bilhões. A Federação representa 14 grupos de operadoras de planos de saúde responsáveis por 41% dos beneficiários de planos no País.
De acordo com Leal, os planos médico-hospitalares tiveram um resultado líquido negativo na ordem de R$ 1,7 bilhão. “Fomos convocados a contribuir para o enfrentamento da pior crise pandêmica do Brasil e correspondemos à altura. Agora vivemos um momento preocupante. Os investimentos em tecnologia, insumos, inovação fizeram com o que os custos do setor aumentassem. A sinistralidade que em 2021 era de 86,2% chegou a 91,7% no segundo trimestre de 2022”.
A instituição alega que o mercado ainda está enfrentando a sobrecarga herdada da pandemia e mudanças estruturais que certamente tornarão a assistência mais cara. “Precisamos refletir sobre essa realidade. Os recursos existem, mas são finitos. Medidas como a sanção do Projeto de Lei n° 2.033/2022 impactarão de forma significativa a sustentabilidade do setor”, alerta Sandro Leal.
O PL 2.033 estabelece hipóteses de cobertura de exames ou tratamentos de saúde fora do Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS. Segundo a FenaSaúde, “a mudança coloca o Brasil na contramão das melhores práticas mundiais de avaliação de incorporação de medicamentos e procedimentos em saúde, dificulta a adequada precificação dos planos e compromete a previsibilidade de despesas assistenciais, podendo ocasionar alta nos preços das mensalidades e expulsão em massa dos beneficiários da saúde suplementar”.
O superintendente ainda apontou outras questões a serem enfrentadas como a entrada de produtos não reguláveis no setor (a exemplo de cartões de desconto em consultas e exames), mudança do perfil etário da população (decorrente da melhoria da qualidade de vida e do investimento em políticas públicas), reajustes nos planos individuais, que acabam por se tornar um empecilho para que mais usuários ingressem no mercado, a judicialização, entre outros.
Porém, segundo o executivo, o principal desafio de todos os atores envolvidos na cadeia da saúde nos próximos anos é ampliar o acesso aos serviços de assistência médico-hospitalar. “Esse desafio passa pela necessidade de controle de custos, altos em todo o mundo, em virtude de tecnologias cada vez mais caras, redução de desperdícios, mudança no perfil epidemiológico da população, entre outros aspectos inerentes ao cenário atual da Saúde Suplementar”.
Após a sua explanação, Sandro Leal participou de um debate com lideranças do setor no Estado. Compuseram a mesa o presidente do CSP-MG, João Paulo Moreira de Mello, os diretores do Clube, Maurício Tadeu Barros Morais, Elaine Patente Godinho e Edilon Mesquita, além do presidente do Sincor-MG, Gustavo Bentes, e do representante do SindSeg, Giuliano Alves Baeta. Os internautas que assistiam ao vivo à transmissão pelo canal do YouTube do Clube também enviaram perguntas.
No encerramento, o presidente do CSP-MG agradeceu a presença dos convidados, entre eles corretores de seguros, executivos de seguradoras e de operadoras de saúde, plataformas de vendas e assessorias.
“O evento foi fundamental para que todos pudessem ter uma visão ampla e aprofundada do setor e dos desafios a serem vencidos para que mais brasileiros possam aderir aos seguros e planos de saúde protegendo a si e aos seus familiares. Temos que buscar alternativas que viabilizem o incremento de novos beneficiários sem perder de vista a sustentabilidade do setor, que é indispensável à sociedade brasileira. Agradeço ao Sandro Leal pela brilhante exposição e à FenaSaúde, sempre parceira do Clube. Podem contar conosco para organizar novos fóruns como esse”, encerrou Mello.
A gravação do evento está disponível no canal do YouTube do CSP-MG: https://abrir.link/mL3Eq. O álbum de fotos do Seminário pode ser acessado na conta do Flickr do Clube: https://abrir.link/0rDsm.
DG Comunicação
Foto: João Paulo Moreira de Mello, presidente do CSP-MG, e Sandro Leal Alves, superintendente de Estudos e Projetos Especiais da FenaSaúde
You may be interested

A Convenção de Montreal e a declaração especial de valor na visão dos Tribunais Superiores
Publicação - 30 de janeiro de 2026Nós, do Machado e Cremoneze, temos acompanhado com atenção os não poucos movimentos jurisprudenciais em torno da aplicação da Convenção de Montreal ao transporte aéreo internacional de…

Bradesco Seguros lança clipe da versão da música ‘You’ve Got a Friend’
Publicação - 30 de janeiro de 2026A canção responsável por embalar a campanha ‘A Descoberta’ do Grupo Bradesco Seguros, ‘You’ve Got a Friend’, clássico da compositora norte-americana Carole King e famosa pela gravação de James Taylor, acaba…

Sindsegnne cria Comissões Técnicas para fortalecer atuação institucional
Publicação - 30 de janeiro de 2026O Sindicato das Seguradoras Norte e Nordeste (Sindsegnne) anuncia a criação de suas Comissões Técnicas, uma iniciativa estratégica voltada ao fortalecimento da atuação institucional e à ampliação…
Mais desta categoria



IA redefine o trabalho no mercado de seguros sem eliminar o papel do corretor
Publicação - 30 de janeiro de 2026









