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27 Jun

Novo estudo do Instituto Swiss Re examina seguros em um mundo multipolar

9 de setembro de 2022
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A pandemia da COVID-19 e a guerra na Ucrânia exacerbaram a desglobalização, criando um ambiente onde prevalecem as preocupações com a resiliência das cadeias de abastecimento, energia e segurança alimentar. A flexibilização das cadeias de abastecimento para países aliados e a reformulação da capacidade de produção interna, os investimentos em energia verde e a atenuação de uma crise alimentar moldarão o cenário de risco e provavelmente aumentarão os investimentos na economia real, conclui o Instituto Swiss Re em seu último estudo sigma, “Mantendo a resiliência: o papel das seguradoras de não-vida em uma nova ordem mundial”.

Jérôme Haegeli, Economista Chefe do Grupo Swiss Re, disse: “Seis meses desde o início da guerra na Ucrânia, nosso mundo mudou drasticamente. Acionados pela guerra e pela pandemia, estamos mudando de um mundo interligado para um mundo multipolar diante de cadeias de abastecimento interrompidas e crises energéticas e alimentares. O seguro está se tornando ainda mais vital para a economia, contribuindo para a estabilidade financeira das empresas ao cobrir os riscos das cadeias de abastecimentos. A indústria também pode facilitar a transição para uma economia verde ao assegurar e investir em infraestrutura de energia renovável e, ao expandir o seguro agrícola, pode contribuir para a segurança alimentar global”.

Espera-se que a reestruturação das cadeias de abastecimento crie investimentos em novas infraestruturas e instalações de produção, aumentando a demanda por seguros de engenharia. Reshoring pode gerar um adicional de USD 30 bilhões em prêmios de seguro comercial global durante os próximos cinco anos, a maioria dos quais provenientes de coberturas de engenharia, propriedade e responsabilidade civil. Enquanto friend-shoring acrescentaria USD 3 bilhões em prêmios. Os prêmios de transporte comercial marítimo e de crédito comercial diminuiriam ligeiramente ao passo que se espera que o comércio global desacelere.

Para Gianfranco Lot, Head Global de Resseguros na Swiss Re, “Com o cenário de risco em constante mudança, o seguro de propriedade e acidentes permanecerão como um pilar de resiliência, por exemplo, ajudando as empresas a manter a estabilidade financeira à medida que as circunstâncias operacionais mudam, fornecendo soluções para ajudar a reduzir a volatilidade do fluxo de caixa e estabilizar os lucros enquanto as cadeias de fornecimento estão sendo realinhadas”.

Seguros podem facilitar a transição energética e aumentar a segurança alimentar
Os efeitos das mudanças climáticas já haviam destacado a importância de realizar uma transição verde, e a invasão russa da Ucrânia acrescentou uma nova urgência à mudança para as energias renováveis. A construção e operação de ativos de energias renováveis envolve um complexo conjunto de riscos que precisam ser gerenciados para evitar grandes perdas de receita associadas. O setor de seguros pode desempenhar um papel fundamental para permitir a expansão da energia renovável, fornecendo cobertura de risco para os complexos riscos inerentes à construção e operação da infraestrutura de energia renovável.

Como as energias renováveis são apenas um componente da transição verde, é necessário mais investimento na descarbonização de todos os setores da economia para que o mundo possa cumprir as metas do Acordo de Paris. Se os países cumprirem com a construção de toda a capacidade de energia renovável que têm como meta até agora, o Instituto Swiss Re estima que esses investimentos gerarão prêmios adicionais do setor energético de USD 235 bilhões até 2035. Entretanto, a transição para uma economia verde requer esforços globais e a fragmentação baseada em preocupações geopolíticas e de segurança pode potencialmente impedir a ação coordenada global necessária.

Devido às interrupções da cadeia de abastecimento causadas pela pandemia e pela guerra na Ucrânia, os preços dos alimentos subiram vertiginosamente. Secas e chuvas fortes nos principais mercados agrícolas levaram a problemas nas colheitas, aumentando ainda mais os preços. Com a previsão de que a população mundial atinja quase 10 bilhões nas próximas três décadas, a segurança alimentar mundial se tornou ainda mais imprescindível. O seguro agrícola surgiu para desempenhar um papel fundamental em ajudar os agricultores a manter os níveis de renda e continuar a atividade agrícola, mesmo em caso de perdas de colheitas. Prevê-se que os prêmios de seguros agrícolas globais alcancem USD 80 bilhões até 2030, a partir de USD 46 bilhões em 2020.

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