Se a base conceitual do seguro é o mutualismo, eu diria que o resseguro e as garantias que ele oferece em assumir ou dividir os riscos são essenciais para o desenvolvimento do país. O resseguro tem um papel importante na recuperação da economia no pós-crise porque abre um leque para riscos diversificados. A verdade é que o resseguro é um mercado que dá apoio às empresas e aquelas que tiverem a gestão mais adequada do seu risco estarão melhor preparadas para o crescimento sustentável.
O resseguro precisa ser melhor percebido pelo mercado. Estratégico em todo o mundo, funciona como garantia financeira não apenas das seguradoras, quando estas transferem parte de seus riscos, como das operações de seguro, fortalecendo as garantias a todos os participantes. Por isso é conhecido como o seguro do seguro.
No Brasil, o setor está em transição e atrai novos players globais que veem – em setores como petróleo e gás, mineração e agronegócio e transporte – mercados altamente demandantes de apólices elevadas e cada vez mais customizadas, que levam seguradoras a buscarem a proteção do resseguro.
Acho que outro grande ganho também tem sido a articulação com órgão regulador para implantar regras modernas que possam trazer ainda mais segurança às contratações. Esse processo evolutivo visa, sobretudo, desenvolver novos produtos e atrair mais empresas, garantindo investimentos em áreas de maior risco e que necessitam de mecanismos garantidores maiores.
A pandemia alterou significativamente o comportamento da sinistralidade, mas o fato é que o mercado de resseguros segue competitivo, com uma expectativa otimista nos setores de infraestrutura, marine e energia, por conta das possíveis concessões e novas regulamentações, como a BR do Mar e a nova Lei do Gás. O seguro de cyber e a demanda por riscos de Property (danos à propriedade) também estão aquecidas, esta última como importante linha de negócios no que diz respeito aos prêmios cedidos.
O mercado fechou o ano de 2021 com R$13,4 bilhões em faturamento no Brasil, segundo a Superintendência de Seguros Privados (Susep). Pelo tamanho da economia, temos muito a crescer. Mas trata-se de um crescimento contínuo que mostra a resiliência das atividades de seguros como um todo, com mais empresas e pessoas físicas em busca de proteção face aos riscos. Acredito que com as novas tecnologias atreladas à melhor percepção do risco e produtos feitos sob medidas, o mercado deverá acelerar esse crescimento.
- Por Luiz Araripe, CEO da Gallagher Re no Brasil
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