Desde o final de 2020, a Superintendência de Seguros Privados (Susep) iniciou o processo de autorização das 11 empresas que irão operar no ambiente regulatório experimental, o Sandbox Regulatório, entre empreendedores e startups. Até agora, seis empresas já conseguiram o aval da autarquia por meio de portarias específicas.
Os projetos aprovados no sandbox precisam ser necessariamente inovadores, focados em tecnologia e que apresentem redução de custos ao consumidor. O capital requerido no início da operação será de R$ 1 milhão. Os empreendedores poderão atuar, por até três anos, com menor custo regulatório e mais flexibilidade.
O leque de produtos oferecidos é bem diversificado – vai desde tablets e smartphones, proteção a pets, a residências e estabelecimentos comerciais, até seguros intermitentes, utilizados sob demanda, bem como seguros paramétricos para desastres. Segundo depoimento recente do diretor técnico da Susep, Rafael Scherre, os resultados devem beneficiar “diretamente a vida dos consumidores, com produtos e serviços mais simples, de fácil uso e mais intensivos em tecnologia”.
Uma das selecionadas na lista da autarquia é a 88i, plataforma de contratação de seguros com adoção de blockchain. O seu fundador, Rodrigo Ventura, afirma que a nova seguradora, apoiada em ecossistemas digitais, irá atuar no âmbito da mobilidade, ao oferecer produtos a empresas de transporte por aplicativo e de delivery, e também com as fintechs e bancos digitais. “Agora poderemos criar seguros de forma mais eficiente e totalmente focados no que os consumidores precisam”, ressalta Ventura.
Às empresas de delivery e entregas, haverá cobertura de perda de renda dos entregadores parceiros, em casos de doença, por exemplo, e também aos danos e roubos a aparelhos celulares usados pelos trabalhadores. “A quem circula pelas ruas será oferecido um seguro barato. Sabemos que é preciso proteção a motos, carros e celulares, ou seja, as ferramentas de trabalho destes profissionais”, complementa. Em relação aos bancos digitais e fintechs, Ventura revela a utilização de uma “infraestrutura robusta” que permita a estas instituições oferecer diversos tipos de proteção a seus clientes.
Leque de coberturas
Única insurtech selecionada de Uberlândia (MG), a Split Risk iniciará sua operação com uma plataforma digital em que o próprio cliente fará a seleção do serviço, de acordo com suas necessidades. A insurtech atuará na oferta de seguro auto, oferecendo um leque de coberturas escolhidas pelo aplicativo, entre as quais roubo e furto, colisão, assistência 24 horas e incêndio. “O nosso público-alvo é composto por pessoas que possuem carros com mais de cinco anos de uso, estimados entre R$ 30 e 50 mil, e sem qualquer proteção. Setenta por centro da frota brasileira circula sem seguro”, ressalta um dos fundadores da Slipt, Rudh Menezello, diretor comercial e de marketing. Inicialmente, a operação estará restrita à Uberlândia.
Segundo Menezello, o objetivo maior da plataforma é democratizar o acesso ao seguro para uma significativa parcela da população que, hoje, não se encaixa no perfil de cliente das seguradoras tradicionais. “O sandbox propicia essa flexibilidade na operação. Temos muita tecnologia embarcada, como, por exemplo, a inteligência artificial que prmite um cálculo do risco preciso”, afirma o diretor. Menezello revela, ainda, que a Split não considera o perfil do condutor na hora da contratação. Os três pilares a serem avaliados são o modelo do automóvel, o CEP do cliente e sua atividade profissional. “Queremos entregar valor no serviço e não preço”, conclui.
Carlos Alberto Pacheco – IC
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