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06 Feb

Por: Moses Ojeisekhoba, CEO da Swiss Re Reinsurance

A devastação causada por um desastre natural não encontra fronteiras e não obedece as leis. A única certeza que temos de um terremoto ou de um furacão é o que acontece imediatamente nos dias seguintes, que pode afetar drasticamente o curso de recuperação a longo prazo. Para as economias em desenvolvimento, um dos maiores riscos é que um país que já está em crise não terá meios para manter serviços vitais e mergulhar de forma ainda mais profunda em uma luta dolorosa e prolongada para reconstrução. Mas não tem que ser assim. O Mecanismo de Seguro contra Riscos de Catástrofes do Caribe (CCRIF) está abrindo caminho para a resiliência, usando gatilhos paramétricos para pagamentos rápidos que ajudam a manter as funções básicas do governo e melhorar os fluxos de caixa. O CCRIF é o primeiro grupo de riscos multinacional do mundo e oferece proteção a 19 governos que são membros. Os pagamentos após os furacões Maria e Irma foram recebidos em menos de 14 dias. O CCRIF e parcerias similares estão ajudando a fechar a lacuna de proteção global – a diferença entre as perdas econômicas totais e as perdas seguradas. Nos últimos 10 anos, as perdas econômicas totais superaram as perdas seguradas em quase US$ 150 bilhões anuais. Embora o problema de falta de cobertura possa parecer assustador, ele apresenta uma oportunidade atraente para que nossa indústria faça a diferença tanto nos mercados desenvolvidos quanto nos emergentes.

Considere que um terço dos veículos nas estradas no Brasil não têm seguro automóvel porque a cobertura obrigatória é limitada à responsabilidade por lesões corporais. A agricultura brasileira também está em grande parte sem seguro, em torno de 90% – outro dado alarmante, considerando que este setor é responsável por 20% do PIB brasileiro. Economias como as do Brasil são especialmente vulneráveis porque indivíduos sem seguro muitas vezes não têm fundos de reserva para reparar ou reconstruir. A lacuna de proteção só aumenta à medida em que as populações aumentam, as pessoas vivem mais, acumulam mais ativos; e tendências como a rápida urbanização, concentram mais ativos em áreas propensas a catástrofes naturais. Além disso, as mudanças climáticas e os eventos mais frequentes e graves que os acompanham aumentam o problema.

O comportamento humano também contribui para a lacuna de proteção. Muitos dos consumidores brasileiros nunca possuíram uma apólice de seguro e não entendem o seu valor. Nossa indústria pode fazer um trabalho melhor, antecipando e respondendo às necessidades humanas básicas, ao invés de comercializar produtos que são muito ambiciosos, complexos e geralmente considerados desnecessários.

As comunidades mais vulneráveis e seus residentes merecem melhor acesso ao seguro, por isso devemos torná-lo mais acessível e informar sobre seus benefícios.

Resseguradoras, governos e organizações multilaterais também precisam desenvolver parcerias mais fortes para ampliar o alcance da cobertura do seguro. Felizmente, a tecnologia é um poderoso aliado para derrubar barreiras tradicionais. A inovação pode ajudar a aumentar a acessibilidade e a conscientização do produto, a expandir a distribuição e a melhorar a cobertura por meio de precificação mais precisa do risco. Na Swiss Re, estamos usando a tecnologia para ajudar nossos clientes a criar soluções inovadoras:

  • Na China, permitimos que mais de 1,5 milhão de dispositivos móveis forneçam seguro de vida em pontos de venda. A Magnum, nossa plataforma automatizada de subscrição Life & Health, ajuda nossos clientes a personalizar a própria experiência de consumidor e aproveitar as percepções significativas de dados provenientes de mais de 12 milhões de propostas de seguros processados a cada ano.
  • Na Flórida, estamos trabalhando com nossos clientes para oferecer aos moradores proteção por danos causados pela água e cobertura contra inundações dentro da apólice de seus proprietários. Esta é uma oportunidade para capitalizar em um pool de riscos considerável, usando um modelo de inundação totalmente probabilístico.
  • Na Califórnia, os donos de empresas estão comprando seguro paramétrico, para que possam continuar a cobrir suas despesas e proteger a renda no caso de um terremoto. Uma apólice paramétrica é subscrita usando apenas o nome, endereço e limite de cobertura do pretendente. Os segurados são notificados dos pagamentos por meio de seus telefones e os recursos são transferidos em até 36 horas. 

A tecnologia pode ser um importante facilitador. A chave para res(seguro) é destravar o potencial. Os seguros podem resolver muitos desafios que surgem nas economias em crescimento quando eles são mais fáceis de entender, mais acessíveis e mais atrativos economicamente. Hoje com o mundo em rápida transformação, a habilidade de nossa indústria de identificar, quantificar e gerenciar riscos será testada a cada momento. Estender a proteção do seguro a mais pessoas e diminuir a lacuna de proteção, será um grande passo para garantir um futuro mais seguro e resiliente para todos e não há lugar melhor para começar do que com os motoristas e fazendeiros do Brasil.

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