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Reforma da previdência: chegou a hora de sermos previdentes?

15 de março de 2019
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Alexandre Camillo é presidente do Sincor-SP (Sindicato dos Empresários e Profissionais Autônomos da Corretagem e da Distribuição de Seguros do Estado de São Paulo), presidente da CamaraSIN (Câmara de Mediação e Conciliação do Sincor-SP), e vice-presidente da Fenacor (Federação Nacional dos Corretores de Seguros).

A reforma da previdência é prioridade do novo governo. Nós, que atuamos no mercado de seguros, muito tempo antes vínhamos alertando sobre sua necessidade, e a importância de se garantir o futuro com um plano de previdência privada.

O sistema previdenciário no Brasil liga as gerações do passado, do presente e do futuro: os trabalhadores de hoje custeiam as aposentadorias de quem deixou o mercado e os de amanhã farão o mesmo com quem está agora na ativa. No entanto, a sociedade brasileira passa por rápida transformação. Nossa população envelhece depressa, porque as mulheres têm muito menos filhos do que no passado e porque as pessoas vivem mais tempo. Esse realidade projetada pelas próximas décadas traz um desequilíbrio crescente: haverá cada vez menos trabalhadores para sustentar cada brasileiro aposentado.

Há inúmeros artigos na internet explicando tudo o que muda com as novas regras de previdência social e ressaltando sua urgência. Mas quero analisar outro ponto desta mudança na sociedade. O alerta trazido pela reforma da previdência nos levará, finalmente, a sermos previdentes?

Estudo realizado pela Universidade de Oxford e a seguradora Zurich revelou que o Brasil tem a menor taxa do mundo em se tratando de cobertura pessoal por meio de seguros. Cerca de 19% dos entrevistados brasileiros afirmaram ter um seguro de vida, quando a média global é de 32%. O Reino Unido vem com a segunda pior taxa, com 21% de cobertura. O estudo avaliou cerca de 11 mil pessoas no Brasil, México, Estados Unidos, Reino Unido, Itália, Espanha, Alemanha, Suíça, Malásia, Hong Kong e Austrália.

No Brasil, o seguro mais procurado ainda é o que cobre furtos e danos do automóvel, com cerca de 80% dos contratos, à parte, é claro, o DPVAT, que é aquele obrigatório e pago por todo proprietário de veículo para indenizar vítimas de acidentes de trânsito. Mesmo entre os donos de carros, motos e caminhões, o seguro está longe de ser uma unanimidade. Apenas 25% da frota nacional (de cerca de 100 milhões de veículos, segundo o Denatran) está segurada.

Diretamente ligada à falta de cultura do seguro está a ausência de planejamento. Brasileiro é um povo imediatista, que gosta de comprar com parcelas a perder de vista, não consegue aguardar juntar o dinheiro para então comprar o que deseja – em muitos casos pela real necessidade e falta de condições financeiras. E se o brasileiro não está pronto para proteger seus bens mais valiosos, como vida e sua residência, quando terá a educação financeira necessária para fazer um planejamento de sua aposentadoria?

Reforçando o sentimento otimista, característico de nosso povo, de que é preciso viver o presente e deixar as preocupações para quando vier a hora, sempre esteve lá a previdência social, algo tido como estável. O brasileiro acreditou que a previdência nunca ia mudar, pois o sistema sempre foi pontual, nunca falhou. Se a pessoa iria se aposentar com pouco ou muito, não importava, mas sua reserva estaria guardada.

A realidade hoje é outra. E deixa muitas pessoas revoltadas, com o sentimento de que alguém está lhe roubando seus direitos. Mas nós que trabalhamos neste segmento sabemos que a reforma é para tentar garantir que a explosão não seja ainda maior e ocasione a falência do sistema. É melhor arrumar a casa e garantir algum benefício, mesmo que mais tarde (até porque as pessoas vivem mais) do que nunca.

Será que este choque da população não deve servir para que nós comecemos a entender que não podemos ficar esperando, na eterna dependência do estado? Quando tivermos consciência de que devemos promover aquilo que queremos para nós, termos mais interesse e participação na política, sermos mais autônomos e empreendedores, tudo irá fluir melhor.

É desafiador, mas os tempos mudaram e quem não se adapta será engolido. Infelizmente para alguns, mas felizmente para quem tem visão de futuro, acabou aquele modelo de emprego em que se cumpre o horário e vai embora para casa, sem se posicionar mais ativamente na empresa. Esse cenário vai dando lugar ao empreendedorismo, de quem busca as oportunidades e pavimenta seu futuro. Quando você está por si, com seus recursos e dono de seus caminhos, se força a fazer melhor e, sem dúvidas, a ser mais previdente.

Ruco Comunicação

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