Evento promovido pela CNseg abordou as novas tecnologias voltadas ao mercado segurador
O 12º Insurance Service Meeting, realizado no Transamérica Expo Center, em São Paulo, contou com a presença de 527 profissionais, entre CEO’s e executivos de negócios, para discutir os desafios das novas tecnologias no setor de seguros. Foram 33 patrocinadores e 38 palestrantes, que abordaram tema relevantes para o setor. Com um novo formato, os presentes também tiveram, a oportunidade de participar do 3º Encontro de Inteligência de Mercado.
Na cerimônia de abertura estavam presentes, Alexandre Leal, diretor Técnico da CNseg, Carlos Alberto Corrêa, diretor-executivo da Federação Nacional de Capitalização (FenaCap), José Cechin, diretor-executivo da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), Antonio Trindade, atual presidente da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg) e Carlos Viana, presidente da Comissão de Processos e Tecnologia da Informação da CNseg.
Márcio Coriolano, presidente da Confederação das Seguradoras (CNseg), fez uma breve apresentação, por meio de vídeo: “tenho a convicção de que o Insurance Service Meeting, mais uma vez será um espaço para debater e demonstrar soluções, que colocarão o Brasil no rumo do progresso, da inclusão produtiva de mais brasileiros, sob o manto da proteção securitária”.
Painéis
Renato de Castro, da SmartUp Consulting Firm, avalia que o setor que mais terá oportunidades com as novas tecnologias é o securitário. Nos EUA, por exemplo, o seguro automotivo representa 40% do mercado segurador. Simultaneamente, grande parte dos problemas urbanos decorre do crescimento populacional nas cidades. “Mobilidade é o aspecto urbano que mais impacta a vida das cidades, mas a infraestrutura voltada para os carros vai mudar, especialmente com a automação dos veículos”, afirmou o executivo. É nesse cenário que nasce o conceito de “cidades inteligentes”, defendido e estudado pelo palestrante, que são “lugares onde tudo parece conspirar para fazer sua vida melhor”. Esse estudo possui cinco pilares: internet das coisas, qualidade de vida, nova economia, resiliência e orientação para o consumidor. Dessa forma, é possível dizer que a humanidade vive agora a sua 4ª Revolução Industrial, cujo pilar é a informação. “Isso apresenta quatro grandes tendências para o setor segurador: foco no cliente; simplicidade; parceria, e, por fim, predição (diminuir os riscos e atuar ativamente na prevenção de sinistros)”.
Otimizando Processos – Robotic Process Automation
O tema do painel, “Otimizando Processos – Robotic Process Automation (RPA)”, apresentou o uso da robótica na otimização de trabalho. O diretor da Deloitte, Marco Dearo, afirmou que a automatização de processos como cruzamento, verificação e documentação de dados por meio do RPA traz inúmeros benefícios para as seguradoras. “Essa tecnologia é não intrusiva, ou seja, não é necessário alterar sistemas. Com a automatização de algumas tarefas você reduz erros, aumenta a escala de produção, reduz os custos operacionais e aumenta a produtividade intelectual da equipe, que é o que realmente traz lucro ao negócio”, destacou Dearo. No setor segurador, há oportunidade para automatização de processos em praticamente toda a cadeia.
Análise de Impacto Regulatório
O painel Impacto Regulatório (AIR), moderado pelo especialista em Regulação da FenaSaúde Bruno dos Santos, contou com palestra da sócia da PVMP Advogados Patrícia Pessôa Valente. “Sendo uma ferramenta nova em nosso país, ainda há dificuldade de entendimento sobre sua finalidade, sendo o principal objetivo, o controle do agente regulador, obrigando-o a desenvolver um processo administrativo baseado em evidências e, portanto, mais alinhado ao princípio da eficiência, presente em nossa Constituição”. Mas se a AIR é uma ferramenta de melhoria de eficiência da gestão, Patrícia acredita que ela deve dar uma maior atenção aos impactos sociais e não apenas aos econômicos da regulação. “Devemos falar de qualidade regulatória antes de falar de impactos regulatórios”, afirmou.
O blockchain no mundo segurador
Na palestra “Blockchain no mundo segurador”, o diretor de vendas Latam da R3, Gustavo Paro, assegurou que a tecnologia irá transformar a indústria seguradora de forma ainda mais intensa que a financeira. Além de reduzir custos operacionais devido à otimização dos processos, abreviar o tempo de regulação de sinistros e facilitar a detecção de fraudes, entre outras vantagens, facilitará a criação de novos produtos, como afirmou Klaus Kaiser Apolinario, do Banco Bradesco. Além das seguradoras e dos clientes, quem também se beneficiará com a tecnologia serão os agentes reguladores, que poderão avaliar os interesses das seguradoras em tempo real, permitindo, também, a redução dos custos de observância das empresas.
Inteligência Artificial e o Futuro do Trabalho
A inteligência artificial é um tema cada vez mais discutido, principalmente porque impacta as relações e processos de trabalho. Estariam algumas profissões ameaçadas pela automatização de suas tarefas? Estamos preparados para essa automatização cada vez mais presente em todo o mundo? Quem levantou essas questões foi o fundador da SLC Soluções Quantitativas, Flávio Abdenur, no painel “Inteligência Artificial e o Futuro do Trabalho”, com a moderação do superintendente executivo de negócios da CNseg, Paulo Kurpan, e a participação do head de Produto da Neoway, Rodrigo Barcia.
As Novas Gerações e o Seguro
O painel “As Novas Gerações e o Seguro” destacou as transformações tecnológicas que o mundo vem passando e que influenciam as diferentes gerações. “A humanidade tem muito que aprender com o passado, mas é necessário olhar para o futuro”. Essa foi a principal mensagem deixada pelo palestrante Luis Rasquilha, CEO da Inova Consulting. Com a moderação da superintendente de Estratégia e Execução da SulAmérica Seguros, Alessandra Almeida, a executiva reforçou as transformações pelas quais a sociedade vem atravessando, sobretudo com a geração dos chamados “millenials”. “Hoje os três maiores medos das novas gerações é que o Wi-Fi não funcione, que a bateria do smartphone descarregue e que o aplicativo não execute”, afirmou Rasquilha. Olhando para a sociedade mundial, é possível analisar alguns novos comportamentos, levando-se em conta questões como empoderamento do consumidor, mundo digital, sustentabilidade, a busca por relaxamento e qualidade de vida, além da economia compartilhada e da questão dos chamados “nômades urbanos” (hoje é possível trabalhar de qualquer lugar do mundo), exemplificou Luis.
Transformações digitais
“As seguradoras não podem falhar, mas por outro lado, as novas tecnologias precisam ser colocadas no mercado quando ainda estão em processo de desenvolvimento, contando com a interação ativa dos usuários para aperfeiçoá-las”, afirmou Daniel Domeneghetti, sócio do Grupo ECC, CEO da DOM Strategy Partners e moderador do painel sobre desmistificação das novas tecnologias. De acordo com o diretor de Inovação Analytics e Tecnologia da SulAmérica, Cristiano Donisete Barbiere, desde que o primeiro iPhone foi lançado há 11 anos e posteriormente com a popularização de empresas de tecnologia como Uber e Amazon, houve uma grande transformação no comportamento dos consumidores, que não querem mais uma experiência de consumo pobre, desejando vivenciar, com todas as empresas, de todos os segmentos, a agilidade e a personalização oferecidas por essas empresas tecnológicas. Cibele Cardin, CIO da Chubb Seguros, apresentou as cinco tendências tecnológicas para os próximos anos: possibilidade de se captar dados por dispositivos conectados; robótica física; códigos abertos e ecossistemas de dados como o blockchain, e as tecnologias cognitivas. Também participante do painel, Curt Zimmermann, diretor de TI da Bradesco Seguros, afirmou que no Next, o banco digital do Bradesco, já não se fala em transação bancária, mas em jornada do cliente, sendo esta mais uma evidência do protagonismo desse personagem nos tempos atuais.
IA: Você sabe com quem está falando?
“Daqui a 30 anos, teremos inteligência artificial em todo lugar e as empresas que tirarem melhor proveito disso agora serão as que terão mais sucesso no futuro”, alertou o CTO & Distinghished Engineer da IBM, Fabio Luis Marras, no painel “IA: Você sabe com quem está falando?”. Com a moderação do superintendente-executivo de Negócios da CNseg, Paulo Kurpan, e a participação de Eduardo Dal Ri, vice-presidente de Auto e Massificados da SulAmérica, , foi abordado o que há de mais inovador no âmbito da inteligência artificial no mercado, apontando alguns caminhos para o setor segurador. Apesar dos alardes, o setor segurador brasileiro tem buscado cada vez mais a automação de processos para melhor atender os clientes, explicou Marras. “Essa aproximação verdadeira com o consumidor é o que tenho visto acontecer na indústria de seguros do Brasil”, finalizou.
O desafio da retomada do crescimento da economia e o mercado segurador
As questões trabalhistas, previdenciárias, econômicas, políticas e ambientais permearam o painel “Os desafios para a retomada do crescimento da economia e o mercado segurador”. Uma das consequências da crise atual, da qual começamos a sair agora, foi a troca do emprego formal pelo informal, gerando um aumento da desigualdade, como pontuou Pedro Simões, economista da CNseg, moderador do painel. Como se não bastasse, a mudança climática é um grande desafio para o país e para a indústria seguradora, que deve conviver com o aumento do número de sinistros por desastres naturais de grande porte. Também em relação a isso o setor não está parado, buscando incentivar a transição para uma economia de baixo carbono, direcionando seus investimentos institucionais para empresas mais sustentáveis; criando novos produtos para absorver os impactos econômicos desses desastres naturais e sendo mais rigoroso no gerenciamento de riscos.
Transformação digital: o desafio não é só tecnológico
Entre as diversas mudanças de paradigma do mundo atual está o fato de que no passado, quando se obtinha uma informação valiosa, guardava-se com cuidado para ser utilizada quando necessário. Atualmente, a informação está aí, ao alcance de todos, e não precisa ser preservada. O importante passa a ser como usá-la da melhor forma possível, afirmou o vice-presidente de Pesquisa da Gartner, Cassio Dreyfuss. As grandes mudanças dos tempos atuais também estão presentes nos ambientes de trabalho, onde os manuais de procedimento já não servem e os profissionais precisam encontrar novas maneiras de realizar seu trabalho. “A alta administração apontará a missão, mas a maneira de realizá-la ficará a cargo dos grupos de trabalho, que enfrentarão desafios desconhecidos pelo caminho”, concluiu. Também participando do painel, o diretor de Supervisão de Conduta da Susep, Carlos de Paula, disse que toda essa revolução é um grande desafio para o Estado Brasileiro, que não pode deixar de estar atento a essa agenda transformadora, apesar de sua tradicional postura reativa ao tema.
Ciência de dados: oportunidades no mercado segurador
A transformação digital passa por uma difusão da cultura de dados, que passaram a ser o “coração” das empresas. Esse foi o tema do painel “Ciência de Dados: oportunidades no mercado segurador”. O painel contou com a participação dos professores da PUC-Rio Gustavo Robichez, Rafael Nasser e Hélio Lopes, além de Glauce Carvalhal, superintendente jurídica da CNseg. Hélio Lopes explicou que a Ciência de Dados é multidisciplinar e que vem ganhando cada vez mais valor no setor segurador. Para Glauce Carvalhal, a aprovação da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), foi criada para estruturar a forma como os dados serão trabalhados. “A Lei não veda o tratamento de dados, ela veio para mostrar qual o caminho a ser percorrido, estruturando-o. Isso facilita a empresa inclusive quando houver uma fiscalização”, concluiu.
Novas Fronteiras do Seguro: Hoje e Amanhã na Era Digital
O último painel do 12º Insurance Service Meeting, “Novas Fronteiras do Seguro: Hoje e Amanhã na Era Digital”, contou com a participação de Cezar Taurion head digital transformation da Kick Ventures. Em um cenário em que mais de 4 bilhões de pessoas estão conectadas à internet no mundo todo, o digital não é o futuro, é o presente. “A 4ª Revolução Industrial que está em curso, teve início, principalmente, a partir de 2007, com o surgimento do primeiro smartphone”, explicou Taurion. “O setor segurador é um dos mais conservadores, não só no Brasil, mas no mundo todo. Mesmo que seja muito regulado, é preciso que ele se adapte aos novos tempos. Esse é um grande desafio porque qualquer setor é ameaçado de disrupção não por seus concorrentes, mas por outros setores, como as startups, por exemplo”, enfatizou.
Feira de negócios
Mauricio Ghetler, diretor de marketing e vendas da I4PRO, considera que a discussão sobre a transformação digital é sempre necessária e destaca que o tema permeia as atividades diárias da companhia. “Para nós houve muita sinergia com o que foi apresentado no Insurance Meeting, que é um evento muito interessante sobre transformação digital. Atuamos muito forte em canais de atendimento, canais de negócios e de corretores”, comenta. Sobre as novidades para 2019, Ghetler adianta que terá algumas iniciativas na área de inteligência artificial e também estudos sobre a viabilidade de oferecer produtos baseados em blockchain. A Delphos Serviços Técnicos, especializada na prestação de serviços para o mercado segurador, com presença no Rio de Janeiro e em São Paulo, também estava entre as expositoras do evento. Elisabete Prado (foto), vice-presidente da companhia citou a parceria desenvolvida com a empresa portuguesa IT PEERS para proteção de dados. “Estamos no mercado há muito tempo com soluções de gestão de carteiras. Saímos um pouco do padrão de negócios corporativos e desenvolvemos uma parceria com a empresa portuguesa, que tem uma solução pronta para a Lei Geral de Proteção de Dados, chamada “DataPeers”. Acreditamos que seja uma das primeiras do mercado e que vai auxiliar o mercado segurador”, destaca.
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