00:00:00
21 Aug

Mudanças no seguro RCV e Reforma Tributária exigem adequações no transporte de cargas

21 de agosto de 2026
31 Visualizações

O Clube Internacional de Seguros & Transportes (CIST) reuniu profissionais dos setores de seguros, transportes e logística, no dia 19 de agosto, para discutir duas mudanças com efeitos diretos sobre as empresas: as novas regras do Seguro de Responsabilidade Civil de Veículo (RCV) e a implementação da Reforma Tributária. Realizado no Auditório SURA, em São Paulo, o workshop teve lotação esgotada e reuniu análises jurídicas, técnicas, tributárias e operacionais.

Na abertura, o presidente do CIST, Frederico Leopoldo, destacou a importância dos encontros presenciais para a disseminação de conhecimento e o relacionamento entre os participantes. “Esse é um dos grandes objetivos do CIST: promover a integração entre todos os atores do ecossistema de seguros, transportes e logística”, afirmou.

A programação foi dividida nos painéis “RCV em Foco: Impactos e Novos Rumos no Transporte Rodoviário de Cargas” e “A Virada de Setembro: Reforma Tributária e os Novos Caminhos do TRC e do TAC”.

RCV exige atenção às apólices e coberturas

Mediado por Paulo Alves, sócio-fundador do CIST e diretor executivo Brasil da Inserte Corretora de Seguros, do Grupo Apsul, o primeiro painel contou com a advogada e corretora de seguros Rosa Gahlen; Thiago Marques, head de Insurtech Innovation da NDD; e Tiago Camilo, sócio-fundador da Albatross MGA e vice-presidente do CIST.

Paulo Alves lembrou que o RCV passou por diferentes etapas regulatórias desde a inclusão de sua obrigatoriedade na legislação e que as alterações ainda geram dúvidas para transportadores, embarcadores, corretores e seguradoras. “Existem dúvidas do próprio mercado de seguros e precisamos transformá-las em orientações claras para quem está na operação”, disse.

Entre os alertas apresentados por Thiago Marques está a necessidade de preenchimento completo dos dados exigidos para a emissão do certificado do RCV, como placa do veículo, motorista e tipo de contratação. Embora o sistema possa aceitar a averbação e gerar uma chancela eletrônica, a ausência dessas informações pode resultar em certificado incompleto e trazer problemas na fiscalização ou regulação de sinistro. “O fato de existir a chancela da averbação pode gerar um falso positivo para o segurado. Para o RCV, é necessário verificar o certificado e analisar o clausulado da apólice”, explicou. Como as condições podem variar entre as seguradoras, corretores e transportadores devem conhecer as obrigações de cada apólice e os procedimentos exigidos para averbação e regulação.

A relação entre o RCV e o Seguro de Responsabilidade Civil Facultativa de Veículos (RCF-V) também esteve no centro do debate. A possibilidade de o RCV funcionar como primeiro risco, com o RCF-V atuando de maneira complementar, ainda depende da adequação das coberturas, inclusive para situações envolvendo o veículo vazio. “O mercado ainda vai se adaptar. Acredito que o RCV possa se tornar o primeiro risco do RCF-V, mas os termos atuais ainda não estão totalmente adequados para essa aplicação em todas as situações”, avaliou Tiago Camilo.

Segundo os participantes, também não deve ocorrer uma redução relevante e imediata do preço do RCF-V devido à obrigatoriedade do RCV. Eventuais ajustes dependerão da acomodação do mercado e da formação de dados sobre exposição e sinistralidade.

Rosa Gahlen abordou os impactos financeiros e jurídicos dos acidentes rodoviários, que podem envolver danos materiais, corporais e morais, além de responsabilidades civis, administrativas e criminais. Para a especialista, o seguro não deve ser compreendido somente como obrigação legal, mas como instrumento de preservação do equilíbrio econômico. “Um acidente atrai diferentes tipos de responsabilidade e pode provocar um impacto financeiro profundo. O seguro é um aliado para preservar o equilíbrio econômico diante de uma ocorrência de maior gravidade”, afirmou.

A advogada explicou que embarcadores, proprietários da carga e operadores logísticos também podem ser chamados a responder perante terceiros atingidos por um acidente. Por isso, a análise das apólices, das condições dos seguros, dos comprovantes de pagamento e do plano de gerenciamento de riscos deve integrar os cuidados na contratação do transportador.

O painel discutiu ainda a situação em que uma Empresa de Transporte Rodoviário de Cargas (ETC) subcontrata um Transportador Autônomo de Cargas (TAC). Embora a legislação atribua à ETC ou ao embarcador a contratação dos seguros em nome do autônomo quando ele atua como preposto, normas relacionadas ao Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) também preveem a comprovação pelo TAC.

Os especialistas defenderam maior alinhamento regulatório para evitar custos adicionais e insegurança. Ressaltaram ainda que a fiscalização ocorrerá principalmente pelo cruzamento eletrônico de dados de apólices, averbações, veículos e motoristas, tornando indispensável manter as informações completas e atualizadas.

Reforma Tributária chega à estratégia das empresas

O segundo painel foi mediado pelo diretor do CIST Sérgio Akira Sato e reuniu Marcelo Marques Júnior, advogado tributarista e presidente da Comissão de Direito Tributário da OAB Santo André; Reinaldo Lima, representante do sistema Fenacon/Sescon/Sescap; e Marina Lima, do Grupo Terra Nova Logística.

Akira comparou a mudança do sistema tributário à passagem de um jogo de damas para o xadrez, diante da quantidade de variáveis que as empresas precisarão administrar. “É uma mudança que gera outras mudanças em cascata. Precisamos entender como os transportadores e os TACs irão atuar daqui para a frente”, afirmou.

Entre os assuntos abordados estiveram IBS, CBS, regime híbrido do Simples Nacional, geração de créditos, split payment, revisão contratual e preparação tecnológica.

Marcelo Marques Júnior explicou que a Reforma Tributária busca simplificar a tributação do consumo por meio de um Imposto sobre Valor Agregado (IVA) dual, composto pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), federal, e pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), estadual e municipal.

A transição, entretanto, será longa. As empresas deverão conviver com o sistema atual e o novo modelo até 2033, revisando custos, processos e contratos. “Já estamos em um momento de transformação do sistema tributário. As empresas precisam olhar para os contratos, para o custo da operação, para os fornecedores e planejar os próximos passos”, ressaltou.

Reinaldo Lima alertou que a Reforma Tributária não pode ser tratada exclusivamente pelos escritórios de contabilidade, pois alcança a precificação, o fluxo de caixa, os contratos, a tecnologia e a estratégia de contratação. “A reforma muda conceitos dentro da empresa, interfere nos custos, exige revisão de contratos e afeta a operação. A decisão é do empresário, com o apoio do contador, do advogado e das empresas de tecnologia”, afirmou.

Uma das recomendações é mapear os fornecedores para identificar quais geram créditos tributários e quais poderão aderir ao regime híbrido do Simples Nacional. Essa composição poderá influenciar o valor de IBS e CBS a recolher e ganhar peso nas decisões de contratação.

A regulamentação prevê crédito presumido para a empresa que contratar um TAC pessoa física, embora o percentual ainda deva ser divulgado. A medida pode ajudar a preservar o espaço dos autônomos na cadeia, já que a transformação em pessoa jurídica não será necessariamente a alternativa mais vantajosa. “A Reforma Tributária precisa ser analisada caso a caso e de ponta a ponta. Em algumas situações, transformar o TAC em pessoa jurídica poderá aumentar o custo em uma proporção superior ao crédito gerado para a contratante”, ponderou Marcelo

You may be interested

Instituto Minha Vida Protegida retoma oficinas gratuitas com foco na atuação consultiva do corretor
Minha Vida Protegida
36 Vizualizações
Minha Vida Protegida
36 Vizualizações

Instituto Minha Vida Protegida retoma oficinas gratuitas com foco na atuação consultiva do corretor

Publicação - 21 de agosto de 2026

Primeiro encontro da nova temporada foi realizado nesta quinta-feira (20); programação terá 23 oficinas até dezembro, com conteúdos sobre seguro de vida, planejamento e desenvolvimento profissional O…

Allianz alcança resultado recorde e segue firme no rumo para cumprir suas metas
Allianz
43 Vizualizações
Allianz
43 Vizualizações

Allianz alcança resultado recorde e segue firme no rumo para cumprir suas metas

Publicação - 21 de agosto de 2026

2T 2026 Volume total de negócios em 45,6 bilhões de euros, com crescimento interno de 5,7%¹, com contribuições de todos os segmentos. Gestão de Ativos apresenta excelente…

FenaSaúde realiza debate em Brasília sobre os 10 anos da CPI da Máfia das Próteses
FenaSaúde
38 Vizualizações
FenaSaúde
38 Vizualizações

FenaSaúde realiza debate em Brasília sobre os 10 anos da CPI da Máfia das Próteses

Publicação - 21 de agosto de 2026

A Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde) promove, no dia 24 de agosto, em Brasília, mais uma edição do Diálogos Executivos FenaSaúde. Com o tema central "Uma…

Deixe um Comentário

Seu endereço de email não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Mais desta categoria

WordPress Video Lightbox Plugin