É a constância que faz o patrimônio crescer, não a rapidez. Essa é a primeira lição para um jovem que pensa hoje em montar sua carteira de investimentos. Especialistas explicam que guardar pequenas quantias mensalmente pode fazer com que um investidor iniciante aos 20 anos chegue aos 60 com R$ 1 milhão no bolso. Em tempos de incertezas e crise na previdência, a orientação é começar a se preparar cedo para garantir um futuro mais tranquilo.
Quem ajuda a fazer essa conta, apenas como exemplo de possibilidades, é Gabriel Alves Guimarães, coordenador de Desenvolvimento do Sicoob Coopjustiça, cooperativa filiada ao Sicoob UniMais Rio. “Para quem está começando, principalmente para quem é mais jovem, o importante é começar o quanto antes, independente do valor”, afirma, destacando que R$ 100 pode ser o primeiro depósito para uma carteira de R$ 1 milhão, mas outras simulações podem ser feitas a partir da capacidade individual de reserva financeira de cada um.
Guimarães explica que o importante é criar a cultura de sempre reservar mensalmente uma parte dos recursos que recebe ou salário visando à estabilidade financeira futura. “O mais importante não é quanto você guarda, é guardar, e começar logo”, resume o especialista.
Ele conta que diariamente lida com jovens que ganham pouco e acham que investimento é assunto para depois. “Se você for um estagiário ou um jovem aprendiz e ganha um salário mínimo (R$ 1.621,00), pode guardar uma porcentagem, nem que seja R$ 10 ou R$ 20, justamente para se habituar a ter constância”, observa, ressaltando que a lógica por trás dos ganhos escaláveis é a dos juros compostos.
Isso significa que, a longo prazo, a rentabilidade do investimento passa a valer mais do que o valor que a pessoa deposita todo mês. Na prática, o dinheiro passa a fazer mais dinheiro do que você e, com o passar do tempo, sobretudo para quem é mais jovem, chega um momento em que a própria rentabilidade do investimento supera o aporte que o investidor faz no mês.
Primeiro passo: reserva, não aposta
Antes de qualquer produto sofisticado, Gabriel insiste num alicerce que a maioria dos jovens pula: a reserva de emergência. Para quem tem carteira assinada, é CLT, a régua é seis meses de salário guardado em algo líquido e sem risco. “Ter um fundo de reserva é muito importante para não tomar crédito”, pontua.
E o alerta vale duas vezes para quem já ouviu falar de “ficar rico rápido” pela internet: renda variável (ações, criptoativos, esse universo) não é o lugar para começar. “Imagina, você começa a guardar R$ 100,00 por mês, coloca em uma ação, no primeiro mês já tem perda no investimento? É uma experiência precoce que atrapalha o entendimento do sentido do que é planejamento financeiro”, diz.
Guimarães também faz questão de chamar atenção para a onda de bets, que não são investimentos e podem ser um risco ao patrimônio. Ele esclarece ainda que muitos produtos vendidos pelo mercado financeiro tradicional como se fossem aplicação financeira, como títulos de capitalização, consórcio e seguro, não são investimento. “São produtos de sorte ou de proteção, com lógicas diferentes”, explica.
Segundo Guimarães, é aí que mora uma das vantagens de cooperativas de crédito: como não têm fins lucrativos e pertencem aos próprios associados, o propósito institucional é conectar pessoas para promover equilíbrio financeiro. Na prática, isso garante maior liberdade para as cooperativas darem a orientação mais precisa e segura para o investidor.
Onde guardar o dinheiro
Para o começo da jornada, o especialista recomenda produtos de renda fixa simples: RDC (categoria exclusiva das cooperativas que equivale ao CDB dos bancos), Tesouro Direto ou, mais adiante, LCI e LCA, isentas de imposto de renda. O argumento de segurança é técnico: as cooperativas de crédito têm o Fundo Garantidor do Cooperativismo de Crédito (FGCoop), que cobre até R$ 250 mil por CPF. E, com a Selic atual em 14% ao ano, a conta fecha a favor do investidor: “Um RDC de uma cooperativa tem ganhos superiores quando a Selic está acima de 8,5%, que é o que está acontecendo hoje”. A poupança, na visão dele, ainda rende, só que menos.
Quanto guardar, mês a mês
Não existe número mágico, mas Guimarães usa uma régua simples de porcentagem sobre a renda, que sobe junto com o salário: “Começa com 10% da sua renda e vai mantendo isso.” Quem ganha um salário mínimo pode mirar os R$ 100,00 por mês do cálculo do milhão; quem ganha R$ 10 mil pode mirar guardar R$ 1.000,00 a R$ 2.000,00. A lógica de porcentagem acompanha a vida da pessoa sem exigir replanejamento a cada aumento de salário.
De acordo com o especialista, na hora de investir, jovens podem arriscar mais porque têm tempo para recuperar uma perda. Mas só vale a pena arriscar se a pessoa tiver conhecimento, ou buscar orientação de quem tem. Sem isso, o risco maior não é o mercado, é o comportamento. “É mais difícil você controlar as emoções do que você controlar uma variação de uma ação”, resume, citando estudos de finanças comportamentais: decisões tomadas num dia ruim tendem a ser as decisões erradas.
E quem tem menos de 18 anos?
A legislação brasileira só permite dois produtos de investimento para menores de idade: poupança e previdência privada, sempre com um responsável legal assinando por eles. Gabriel recomenda que os pais procurem a cooperativa diretamente. A escolha entre um produto e outro, segundo ele, depende do horizonte: para uma criança pequena, com mais de 10 anos até completar a maioridade, a previdência privada tende a fazer mais sentido; para um adolescente mais próximo dos 18, a poupança dá liquidez para eventualidades mais próximas. O Sicoob UniMais Rio oferece os dois produtos.
Como pegar orientação de graça
Jovens que queiram passar por essa conversa com um especialista das cooperativas singulares do Sicoob UniMais Rio têm dois caminhos: baixar o aplicativo do Sicoob, onde há vários materiais educativos e explicativos sobre investimentos, ou ir diretamente à cooperativa mais próxima da região onde moram. Para isso, é preciso se associar, lembrando que menores de 18 anos não investem sozinhos: pai, mãe ou responsável legal deve procurar a cooperativa e abrir poupança ou previdência privada, sempre assinando pela criança ou adolescente.
O atendimento na cooperativa não tem custo, e o diferencial de procurar uma agência em vez de resolver tudo sozinho pelo aplicativo faz diferença porque a análise de perfil evita erros de indicação, comuns em instituições tradicionais, e adapta o produto ao momento de vida de cada cooperado.
Dona Comunicação
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