A Odontologia Suplementar brasileira começa a trilhar um caminho já consolidado na Saúde Médica: a transição do modelo tradicional de pagamento por procedimento (fee-for-service) para um Modelo de Remuneração baseada em valor (value-based care). O movimento busca alinhar qualidade assistencial, sustentabilidade econômica e foco no desfecho clínico do Beneficiário.
Enquanto o modelo fee-for-service remunera o volume de atendimentos e procedimentos realizados, a remuneração por valor considera a efetividade do tratamento, a resolutividade dos casos e a Prevenção de novas intercorrências. A lógica é incentivar o cuidado integral e contínuo, com alinhamento entre Operadoras, Prestadores e Beneficiários em torno de resultados assistenciais e eficiência de recursos.
“Modelos de pagamento orientados por valor representam uma evolução natural da Odontologia Suplementar. Eles estimulam a prática preventiva e o uso inteligente de recursos, favorecendo tanto a Sustentabilidade das Operadoras quanto a qualidade do atendimento prestado”, afirma Dr. Roberto Seme Cury (foto), Presidente da SINOG – Associação Brasileira de Planos Odontológicos.
Entre os principais desafios para implantação estão a ausência de indicadores padronizados de qualidade odontológica, a necessidade de interoperabilidade entre sistemas e a limitação na coleta e análise de dados assistenciais em escala. Soma-se a isso a resistência cultural de parte da Rede Credenciada, habituada a um modelo de remuneração vinculado ao volume de procedimentos realizados.
De acordo com o Dr. Cury, a transição exige o engajamento de toda a cadeia: “É preciso construir métricas de valor específicas para a Odontologia, investir em integração de dados clínicos e promover um ambiente de confiança entre Operadoras e Prestadores. Só assim será possível mensurar resultados e transformar o Modelo de Remuneração em um instrumento de qualificação da assistência”, defende.
Segundo ele, a adoção de modelos baseados em valor tende a gerar impactos positivos. Entre os benefícios esperados estão a redução de custos associados a procedimentos repetitivos ou desnecessários, a melhor alocação de recursos, o fortalecimento de práticas preventivas, além do alinhamento dos objetivos das Operadoras com as necessidades dos Beneficiários, criando um ambiente mais colaborativo e focado na melhoria contínua da experiência do Paciente.
“Mais do que uma tendência, a remuneração por valor representa uma mudança estrutural de paradigma no Setor”, afirma Cury. Para ele, à medida que a Odontologia avança, a consolidação de modelos de pagamento vinculados a resultados deve redefinir a relação entre Operadoras e Prestadores. “O foco deixa de ser o procedimento e passa a ser o Paciente — e essa transição, embora gradual, tende a se tornar um dos vetores centrais de qualificação e sustentabilidade da Odontologia Suplementar nos próximos anos”, conclui.
Agência Pub
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