Encontro reuniu especialistas da área e trouxe temas como compliance e cyber risk
Por: Priscila Palacio
“A ABGR irá trabalhar para que as empresas tenham diretoria de risco e com o reconhecimento merecido diante da necessidade de desenvolvimento da consciência de risco nas grandes empresas”. Com estas palavras Marcelo D’Alessandro, secretário-executivo da Associação Brasileira de Gerência de Riscos (ABGR), abriu o XVIII Encontro Anual do Comitê Setor Elétrico da ABGR, realizado em Campinas (SP).
O encontro reuniu cerca de 150 profissionais e começou com a visita técnica à Usina Solar Tanquinho, primeira do gênero do Estado e administrada pela CPFL Energia, embaixadora do encontro. Durante a visita, os participantes conheceram o sistema de captação de energia fotovoltaica da usina e visitaram as instalações do Instituto CPFL.
Na abertura, D’Alessandro afirmou que o objetivo é ampliar a atuação da ABGR aproximando-se de segmentos que desconhecem a entidade. “Estamos apoiando vários eventos para sermos conhecidos pelas companhias e, ao mesmo tempo, aproximá-las da associação. O nosso comitê do setor elétrico, por exemplo, reúne 30 empresas”.
Compliance e seguro garantia
Um dos painéis mais aguardados foi o “Compliance Anticorrupção/Prevenção e Mitigação de Riscos”, conduzido por Mateus Cunha, advogado e sócio da T4 Compliance. Segundo o especialista, para a grande maioria das empresas brasileiras, compliance é um assunto recente. Cunha ressaltou: trata-se de mudança de paradigma global na forma de fazer negócios. “A lei brasileira promulgada em agosto de 2013 e popularmente chamada de lei anticorrupção é uma das mais rígidas do mundo do ponto de vista de responsabilização de pessoas jurídicas. Do ponto de vista administrativo a multa que pode chegar de 0,1 a 20% do faturamento bruto da empresa ou R$ 600 milhões. Pode haver bloqueio de bens, perda ou impedimento de receber benefícios por parte do governo e a suspensão pode ser total ou parcial das atividades da empresa”.
No painel “Seguro Projetos de Infraestrutura / Seguro OCIP”, Solange Cristina Fernandes, superintendente de subscrição de riscos da Junto Seguros, falou sobre seguro garantia no setor de energia. Para a executiva, o mercado é muito vivo e se transformou rapidamente nos últimos três anos. “Temos entrada de novos players e reestruturação desse mercado. Dentro desse cenário, desenvolvemos uma análise de risco bastante detalhada”. De acordo com Solange, o seguro-garantia abrange o papel do comprador de energia, vendedor, transmissor, distribuidor e da geração. “A oportunidade de falar do produto para um público tão conhecedor gera a possibilidade de inovar”, analisa.
Paulo Leão de Moura Jr., chairman da THB Brasil fez uma explanação sobre o seguro OCIP (Owner Controlled Insurance Program). Segundo Paulo, é “um seguro muito complexo”. E enfatizou: “É uma apólice que incorpora as coberturas básicas de risco de engenharia e vai incorporar todas as de responsabilidade civil inerentes ao grande empreendimento”, explicou.
No topo das atenções
Patrícia Marzullo, head de subscrição de engenharia e power da AGCS South América, revelou no painel “Seguro para Energias Renováveis” que está previsto o início de 300 obras este ano, todas praticamente relacionadas com energias renováveis. “Quero deixar um alerta sobre a importância que a energia renovável está tomando no Brasil”. Patrícia apresentou o relatório “Allianz Risk Barometer 2019”, decorrente de uma pesquisa em que 86 risk manager de todo mundo responderam quais os tipos de riscos que mais os preocupam para os próximos 12 meses. O medo de interrupção de negócios liderou a lista, seguido do cyber risk.
Aliás, cyber risk foi o tema apresentado por Marta Schuh, especialista em cybersecurity da Marsh JLT, no painel “Seguros Riscos Cibernéticos/Gestão”. Segundo Marta, o produto cyber, em dois anos, se tornou algo relevante aos riscos que as empresas enfrentam e o mercado brasileiro teve uma grande evolução nesse quesito. “O setor de energia lidera as empresas que têm mais target para incidentes cibernéticos”. Marta, contudo, adverte: “O fato de não ter acontecido com vocês até agora não significa que não venha a ocorrer” e finalizou prevendo que os incidentes se tornarão cada vez mais comuns.
Oportunidade de networking e reflexões
O encontro da ABGR acontece há 18 anos e visa possibilitar acesso a atualizações recentes por meio de discussões interativas, promover networking, integração entre os gestores de riscos e seguros das empresas do setor elétrico brasileiro e a aproximação do mercado segurador. Emilyn Lisboa, responsável pelos seguros e garantias financeiras do grupo Raízen, participa do evento há cinco anos, considerando-o fundamental para troca de informações dos gestores. “O setor elétrico é muito maduro em termos de gestão de riscos e, a cada nova oportunidade, saio com uma bagagem enorme para levar para os acionistas aas melhores práticas neste campo”.
Rafael Pol, diretor comercial da AON, acredita ser esta uma oportunidade de refletir sobre gestão, entendimento e consciência de risco. “É um setor que está em alta. O país só cresce se tiver investimento em infraestrutura e energia. Ter essa preocupação e dividir com um grupo de especialistas, risk manager e pessoas envolvidas com seguros, é uma ótima oportunidade. Muitas empresas ainda não têm o conhecimento do risco. Um evento como esse contribui muito para o setor”, conclui.
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