00:00:00
07 Jan

Setor é chave para reduzir perdas climáticas

18 de novembro de 2025
150 Visualizações

Até 91% das perdas econômicas registradas em determinados eventos climáticos dos últimos anos não estavam cobertas por seguros, deixando famílias, empresas e governos praticamente sozinhos diante de enchentes, secas severas e tempestades que se intensificam com as mudanças climáticas. O dado faz parte de um estudo inédito apresentado na Casa do Seguro durante a COP30, em Belém.

Segundo o relatório “Insurance and Brazil’s Bioeconomy Revolution”, o avanço da exposição a riscos climáticos exige que o setor de seguros seja compreendido não apenas como um instrumento de proteção financeira, mas como agente de indução a práticas sustentáveis e a modelos de desenvolvimento mais resilientes em um contexto de transformação econômica e ambiental. O documento foi desenvolvido pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS), em colaboração com a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), a Marsh (Latin America) e o Climate Resilience Center, do Atlantic Council.

Entre os casos analisados, o estudo destaca as chuvas extremas que atingiram o Rio Grande do Sul ao longo de 12 dias consecutivos, que resultaram em prejuízos massivos. Apenas R$ 6 bilhões estavam cobertos por apólices, deixando uma lacuna de 83%. No período de 2022 a 2024, os desastres climáticos somaram R$ 184 bilhões em perdas para o país, evidenciando a urgência de ampliar o acesso e a oferta de proteção financeira diante de eventos ambientais mais frequentes e severos.

A retração da cobertura agrícola é outro ponto de atenção. A área segurada no Brasil caiu de 14 milhões para 7 milhões de hectares entre 2023 e 2024, e o seguro rural cobre atualmente menos de 8% das terras cultivadas. O aumento do prêmio médio por hectare — de R$ 100 em 2019 para R$ 500 em 2022 —, somado à maior incidência de eventos extremos e a cortes sucessivos no orçamento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), contribuiu diretamente para essa queda. O movimento torna produtores rurais e cadeias do agronegócio mais vulneráveis, reduz a produtividade, amplia riscos sistêmicos e dificulta a adoção de práticas sustentáveis.

Dimensão ambiental e bioeconômica

Na dimensão ambiental e bioeconômica, o relatório aponta que o Brasil possui uma vantagem estratégica: a biodiversidade e os ativos naturais do país têm potencial para impulsionar cadeias produtivas sustentáveis, gerar renda e reduzir emissões. Apesar disso, o mercado segurador ainda carece de produtos maduros para cobrir riscos associados à natureza, restauração florestal, conservação de ecossistemas, manejo de paisagens, créditos de carbono e créditos de biodiversidade.

A ausência de séries históricas robustas, de modelos de risco adequados e de metodologias padronizadas de valoração ambiental dificulta a precificação e reduz a oferta de resseguro, especialmente no mercado internacional, elevando o custo de entrada de projetos que dependem de garantias financeiras. Além disso, os riscos ambientais possuem características que desafiam o setor: baixa previsibilidade, alta severidade e sazonalidade marcada, como ocorre em incêndios florestais, secas extremas, tempestades e invasões para exploração ilegal. Nesse cenário, o estudo destaca o potencial do Brasil para avançar em soluções como seguros paramétricos, que efetuam pagamentos automáticos com base em gatilhos climáticos e oferecem maior agilidade para regiões vulneráveis.

O documento também reforça que o Brasil é referência global em transparência de riscos climáticos. O país foi o primeiro do mundo a alinhar seu mercado segurador às recomendações da Task Force on Climate-related Financial Disclosures (TCFD) e o primeiro da América Latina a exigir que seguradoras integrem riscos climáticos a processos de subscrição, desenvolvimento de produtos e gestão corporativa. Contudo, a integração entre riscos climáticos e riscos relacionados à natureza ainda é incipiente, especialmente no que se refere à biodiversidade, apesar da relação direta entre desmatamento, alteração dos regimes de chuva, eventos extremos e impactos econômicos.

A apresentação do relatório na Casa do Seguro durante a COP30 tem o objetivo de estimular um debate estratégico entre seguradoras, resseguradoras, reguladores, academia, investidores e formuladores de políticas públicas. A intenção é acelerar o desenvolvimento de instrumentos financeiros inovadores, fortalecer marcos regulatórios em construção, como a Taxonomia Sustentável Brasileira e a Resolução CNSP 473/2024, e ampliar o acesso ao seguro em setores essenciais para o desenvolvimento do país.

O estudo ressalta que os trilhões de dólares pagos anualmente em indenizações no mundo posicionam o setor de seguros como a segunda maior força financeira da resiliência global, atrás apenas do Estado. Assim, o seguro passa a ser entendido não apenas como resposta a desastres, mas como elemento central da adaptação climática, da proteção ambiental e da transição para uma economia de baixo carbono.

Ao articular dados, inovação, políticas públicas e coordenação entre diferentes setores, o Brasil pode transformar o seguro em uma alavanca estrutural para o fortalecimento da bioeconomia, para o aumento da resiliência das cidades e para a segurança econômica da população em um cenário de crise climática acelerada.

Assessoria de Imprensa CNseg

You may be interested

86% dos consumidores priorizam marcas que demonstram cuidado genuíno
Zurich Seguros
95 Vizualizações
Zurich Seguros
95 Vizualizações

86% dos consumidores priorizam marcas que demonstram cuidado genuíno

Publicação - 6 de janeiro de 2026

A empatia é um valor central para os consumidores brasileiros. De acordo com o estudo global "Addressing the Empathy Gap", realizado pela Zurich Insurance Group em parceria…

Odontoprev conquista mais de 12 premiações em 2025
OdontoPrev
108 Vizualizações
OdontoPrev
108 Vizualizações

Odontoprev conquista mais de 12 premiações em 2025

Publicação - 6 de janeiro de 2026

Com 38 anos de história, a Odontoprev chega ao final de 2025 com muitos motivos para comemorar e alguns deles estão relacionados com as premiações que a…

Prudential do Brasil anuncia renovação à tenista Bia Haddad
Prudential do Brasil
108 Vizualizações
Prudential do Brasil
108 Vizualizações

Prudential do Brasil anuncia renovação à tenista Bia Haddad

Publicação - 6 de janeiro de 2026

A Prudential do Brasil anuncia a renovação do patrocínio à tenista brasileira Bia Haddad Maia, um dos maiores nomes do tênis feminino mundial. A parceria entre a…

Deixe um Comentário

Seu endereço de email não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Mais desta categoria

WordPress Video Lightbox Plugin