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25 Feb

Trilhas das Memórias Negras resgatam vozes e histórias apagadas

15 de outubro de 2025
285 Visualizações

Imagine se a história oficial do Brasil também pudesse ser narrada a partir da ótica de nomes como Luiz Gama, Abdias do Nascimento, Dandara dos Palmares, Luísa Mahin, Maria Filipa, só para citar alguns e algumas. De acordo com a consultoria Inaperê, que mensalmente realiza as “Trilhas das Memórias Negras”, a forma como se narra a nossa trajetória de nação soberana ainda segue uma matriz eurocêntrica.

Foi a partir dessa inquietação que os professores Leonardo Bento, Andréa Ladeira e outros parceiros criaram esse projeto que prevê uma caminhada pelo centro de São Paulo. A atividade pedagógica se inicia na escadaria da Sé e percorre pontos como a escultura em homenagem ao Tebas, a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, o busto de Luiz Gama, a estátua da Mãe Preta e do Zumbi dos Palmares, entre outras paradas. A iniciativa acontece uma vez por mês, em uma manhã de sábado. Parte dos valores arrecadados são direcionados a projetos sociais com propósitos alinhados, como a biblioteca comunitária da Favela da Paz.

Mais do que uma caminhada, as “Trilhas das Memórias Negras” são uma vivência pedagógica que desafia os participantes a revisitar a história oficial do Brasil sob uma outra ótica: a das populações negras e indígenas, cujas vidas foram precarizadas por séculos.

Não é turismo, nem passeio. É formação. Nosso objetivo é que cada pessoa saia da Trilha mais consciente, mais crítica e com ferramentas concretas para agir contra o racismo estrutural em seu cotidiano”, explica Leonardo Bento, historiador e sócio-fundador da Inaperê.

A proposta não é apenas sensibilizar, mas provocar reflexão e ação. Durante o percurso, os educadores propõem um exercício de letramento racial e histórico: o participante é convidado a “ler” a cidade, reconhecendo como o espaço urbano também expressa as marcas do racismo estrutural. Cada parada – seja diante de uma escultura, de uma igreja ou de um monumento – revela tanto os silenciamentos quanto as resistências que moldaram a formação social do país.

É um processo de desaprendizado e reconstrução. As pessoas se emocionam, questionam e voltam para casa com um novo olhar sobre o cotidiano”, destaca Andréa Ladeira, historiadora e cofundadora da consultoria.

As Trilhas também funcionam como uma potente ferramenta de formação docente. Ao integrar prática e teoria, a iniciativa complementa o currículo escolar e apoia o cumprimento das Leis 10.639/03 e 11.645/08, que tornam obrigatórios o ensino da história e da cultura afro-brasileira e indígena nas escolas. Com isso, professores, estudantes e o público em geral tornam-se agentes de transformação, capazes de identificar e intervir em situações de desigualdade racial dentro e fora das instituições de ensino.

Desde o lançamento em agosto, o projeto vem recebendo feedbacks muito positivos de escolas, universidades e coletivos culturais. A Inaperê planeja manter a regularidade das Trilhas – realizadas todo segundo sábado de cada mês – e ampliar as parcerias com instituições interessadas em incorporar práticas de educação antirracista em seus programas formativos.

A próxima edição das Trilhas das Memórias Negras acontece no dia 18 de outubro (sábado), das 9h às 12h30, com ponto de encontro na escadaria da Catedral da Sé e encerramento no Largo do Arouche. A experiência pode incluir o almoço no restaurante Biyou’z, de gastronomia africana e as inscrições estão abertas pelo Sympla. Em caso de chuva, a caminhada é mantida normalmente, com distribuição de capas aos participantes.

Menores de idade acompanhados dos pais não pagam. A programação é recomendável para crianças a partir dos 10 anos de idade por conta da extensão da caminhada. O projeto pode ser contratado por escolas e empresas e personalizado a partir de demandas específicas (a ser coordenado pontualmente).

Serviço – Trilhas das Memórias Negras

Local: Centro de São Paulo (Catedral da Sé ao Largo do Arouche)
Próxima edição: 18 de outubro (sábado)
Horário: das 9h às 12h30
Público: a partir de 10 anos (menores acompanhados não pagam a caminhada)
Inscrições: Sympla – Trilhas das Memórias Negras

Oficina de RP

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