{"id":84480,"date":"2026-10-19T12:46:20","date_gmt":"2026-10-19T15:46:20","guid":{"rendered":"https:\/\/insurancecorp.com.br\/pt\/?p=84480"},"modified":"2026-10-19T12:46:20","modified_gmt":"2026-10-19T15:46:20","slug":"franquia-e-coparticipacao-podem-tornar-o-uso-dos-planos-de-saude-mais-eficiente-mas-ha-um-desafio-regulatorio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/insurancecorp.com.br\/pt\/2026\/10\/19\/franquia-e-coparticipacao-podem-tornar-o-uso-dos-planos-de-saude-mais-eficiente-mas-ha-um-desafio-regulatorio\/","title":{"rendered":"Franquia e coparticipa\u00e7\u00e3o podem tornar o uso dos planos de sa\u00fade mais eficiente, mas h\u00e1 um desafio regulat\u00f3rio"},"content":{"rendered":"<p align=\"justify\">\u00a0Franquia e coparticipa\u00e7\u00e3o podem contribuir para um uso mais eficiente dos planos de sa\u00fade, n\u00e3o apenas por moderar a utiliza\u00e7\u00e3o potencialmente desnecess\u00e1ria de servi\u00e7os, mas tamb\u00e9m por ajudar a direcionar o benefici\u00e1rio na escolha de onde e como buscar atendimento. Para isso, esses mecanismos precisam combinar incentivos ao uso adequado com prote\u00e7\u00e3o financeira e acesso aos cuidados necess\u00e1rios. No Brasil, o principal desafio est\u00e1 no aperfei\u00e7oamento da regula\u00e7\u00e3o. Essas quest\u00f5es s\u00e3o analisadas no estudo &#8220;Mecanismos de compartilhamento de custos: evid\u00eancias emp\u00edricas internacionais e o caso brasileiro&#8221;, realizado por pesquisadoras da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) a pedido do Instituto de Estudos de Sa\u00fade Suplementar (IESS). O trabalho re\u00fane evid\u00eancias da literatura, analisa experi\u00eancias de nove pa\u00edses e examina a evolu\u00e7\u00e3o desses mecanismos e de sua regula\u00e7\u00e3o no Brasil. <a title=\"Acesse o Estudo\" href=\"https:\/\/s7500831.sendpul.se\/sl\/MzY1ODczNzU6NzUwMDgzMQ==\/f3750e004889703479d168fc4150b975524b7s4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Clique aqui e acesse a \u00edntegra<\/a> do estudo<a href=\"https:\/\/s7500831.sendpul.se\/sl\/MzY1ODczNzY6NzUwMDgzMQ==\/f3750e004889703479d168fc4150b975524b7s4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">.<\/a><\/p>\n<p align=\"justify\">A discuss\u00e3o ganha import\u00e2ncia diante do crescimento das despesas assistenciais, que pressiona a sustentabilidade dos planos e o valor das mensalidades. O estudo mostra que a cobertura do seguro com aus\u00eancia de desembolso no momento do uso do servi\u00e7o de sa\u00fade altera os incentivos enfrentados pelo benefici\u00e1rio, podendo resultar em utiliza\u00e7\u00e3o superior \u00e0quela observada sem a cobertura do seguro. Os mecanismos de compartilhamento de custos procuram moderar esse efeito, mas tamb\u00e9m podem reduzir o uso de cuidados necess\u00e1rios. \u00a0A quest\u00e3o, portanto, \u00e9 encontrar um desenho que modere o uso potencialmente desnecess\u00e1rio sem comprometer o acesso ao cuidado.<\/p>\n<p align=\"justify\">No Brasil, os planos de assist\u00eancia m\u00e9dica re\u00fanem cerca de 53 milh\u00f5es de benefici\u00e1rios, ou aproximadamente 25% da popula\u00e7\u00e3o. Os contratos coletivos concentram 84% desse total. A coparticipa\u00e7\u00e3o ganhou espa\u00e7o em todas as modalidades de contrata\u00e7\u00e3o e hoje \u00e9 o principal mecanismo de compartilhamento de custos utilizado no Pa\u00eds.<\/p>\n<p align=\"justify\">Nos planos coletivos empresariais, a propor\u00e7\u00e3o de benefici\u00e1rios em contratos com coparticipa\u00e7\u00e3o e\/ou franquia passou de 63,5% em 2020 para 71,1% em 2025, chegando a 79,1% nas empresas com mil ou mais benefici\u00e1rios. A franquia permanece residual: cerca de 1% dos benefici\u00e1rios est\u00e1 em planos que utilizam apenas esse mecanismo, enquanto a combina\u00e7\u00e3o de franquia e coparticipa\u00e7\u00e3o passou de 6% para 8% entre 2014 e 2025.<\/p>\n<p align=\"justify\">&#8220;O ponto central n\u00e3o \u00e9 fazer o benefici\u00e1rio utilizar menos os servi\u00e7os de sa\u00fade, mas criar incentivos para uma utiliza\u00e7\u00e3o mais adequada, evitando desperd\u00edcios sem dificultar o acesso de quem precisa de cuidado. A experi\u00eancia internacional evidencia que grande parte dos pa\u00edses adota mecanismos de compartilhamento de custos, mesmo nos sistemas p\u00fablicos, e apresenta grande diversidade de desenhos&#8221;, afirma Denizar Vianna, superintendente executivo do IESS.<\/p>\n<p align=\"justify\">A an\u00e1lise de Estados Unidos, Chile, It\u00e1lia, Austr\u00e1lia, Alemanha, Fran\u00e7a, Jap\u00e3o, Coreia do Sul e China mostra diferentes combina\u00e7\u00f5es de franquia, copagamento, cosseguro e limites m\u00e1ximos de desembolso. N\u00e3o h\u00e1 um modelo \u00fanico, mas um ponto comum \u00e9 a prote\u00e7\u00e3o contra exposi\u00e7\u00e3o financeira excessiva. Dependendo do pa\u00eds, renda, idade e condi\u00e7\u00e3o de sa\u00fade podem determinar valores menores, isen\u00e7\u00f5es ou tetos diferenciados. Pessoas com doen\u00e7as cr\u00f4nicas, graves ou raras tamb\u00e9m recebem tratamento espec\u00edfico em v\u00e1rios sistemas.<\/p>\n<p align=\"justify\">O compartilhamento de custos tamb\u00e9m pode influenciar onde e como o cuidado \u00e9 procurado. Na Coreia do Sul, a participa\u00e7\u00e3o financeira aumenta conforme a complexidade do prestador. Na Fran\u00e7a, o reembolso \u00e9 maior quando o paciente segue o percurso definido pelo sistema de sa\u00fade. Na Austr\u00e1lia, o cl\u00ednico geral funciona como porta de entrada para especialistas. No Jap\u00e3o, o acesso direto a grandes hospitais sem encaminhamento gera cobran\u00e7a adicional. Na Alemanha, para pessoas com doen\u00e7as cr\u00f4nicas graves engajadas em programas de acompanhamento e\/ou que realizam os rastreamentos recomendados, o teto de desembolso anual cai de 2% para 1% da renda familiar bruta. J\u00e1 na It\u00e1lia h\u00e1 copagamento para o uso considerado inadequado dos servi\u00e7os de emerg\u00eancia.<\/p>\n<p align=\"justify\">Esses exemplos mostram que os mecanismos de compartilhamento de custos podem desempenhar uma fun\u00e7\u00e3o que vai al\u00e9m de moderar a utiliza\u00e7\u00e3o: podem tamb\u00e9m ser utilizados para induzir a escolha dos servi\u00e7os de sa\u00fade e estimular formas de atendimento consideradas mais adequadas, como o fortalecimento da aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, a redu\u00e7\u00e3o do uso inadequado de servi\u00e7os hospitalares de urg\u00eancia e emerg\u00eancia e a participa\u00e7\u00e3o em programas de acompanhamento de condi\u00e7\u00f5es cr\u00f4nicas.<\/p>\n<p align=\"justify\">&#8220;Franquia e coparticipa\u00e7\u00e3o n\u00e3o devem ser vistas apenas como formas de dividir despesas. Quando bem desenhadas, podem ajudar a orientar o percurso assistencial. Mas isso exige prote\u00e7\u00e3o para quem tem maior necessidade de cuidado e acompanhamento dos efeitos sobre acesso e continuidade do tratamento&#8221;, refor\u00e7a Vianna.<\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><strong>Regras ainda deixam lacunas<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Apesar da dissemina\u00e7\u00e3o desses mecanismos, sua principal refer\u00eancia regulat\u00f3ria continua sendo a Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 8 do Conselho de Sa\u00fade Suplementar (Consu), de 1998. Segundo o estudo, a norma deixou em aberto quest\u00f5es importantes, como crit\u00e9rios objetivos para caracterizar um mecanismo como fator restritor severo, par\u00e2metros para a intensidade da coparticipa\u00e7\u00e3o e um limite m\u00e1ximo para a exposi\u00e7\u00e3o financeira acumulada. Tamb\u00e9m faltam salvaguardas espec\u00edficas para pessoas com maior necessidade assistencial e tratamento diferenciado de servi\u00e7os preventivos. No caso da franquia, o modelo brasileiro n\u00e3o reproduz o conceito de <em>deductible<\/em> adotado internacionalmente.<\/p>\n<p align=\"justify\">Diferentemente de diversas experi\u00eancias internacionais analisadas, nas quais o regulador estabelece par\u00e2metros e mecanismos de prote\u00e7\u00e3o financeira, no Brasil ainda n\u00e3o foram definidos de forma objetiva os crit\u00e9rios que caracterizam o &#8220;fator restritor severo&#8221;. Permanece, assim, uma zona de incerteza sobre qual n\u00edvel de exposi\u00e7\u00e3o financeira \u00e9 compat\u00edvel com o acesso \u00e0 assist\u00eancia e a partir de que ponto o compartilhamento de custos pode se tornar uma barreira \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o. Na aus\u00eancia de crit\u00e9rios objetivos, esse equil\u00edbrio permanece em grande medida dependente do desenho dos contratos e da aplica\u00e7\u00e3o administrativa e de fiscaliza\u00e7\u00e3o da norma.<\/p>\n<p align=\"justify\">&#8220;O compartilhamento de custos j\u00e1 faz parte da realidade da sa\u00fade suplementar brasileira. Precisamos aperfei\u00e7oar regras criadas h\u00e1 quase tr\u00eas d\u00e9cadas para uma realidade muito diferente da atual. Uma regula\u00e7\u00e3o mais clara deve dar previsibilidade ao benefici\u00e1rio e permitir desenhos capazes de estimular uma utiliza\u00e7\u00e3o mais eficiente dos recursos&#8221;, avalia o superintendente.<\/p>\n<p align=\"justify\">O levantamento identificou quatro ciclos de debate regulat\u00f3rio entre 2003 e 2026. Uma proposta abrangente chegou a ser publicada em 2018, mas foi suspensa pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e posteriormente revogada pela Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade Suplementar (ANS). A revis\u00e3o est\u00e1 novamente em andamento, envolvendo temas como limites de coparticipa\u00e7\u00e3o e de exposi\u00e7\u00e3o financeira, transpar\u00eancia, prote\u00e7\u00e3o de grupos vulner\u00e1veis, procedimentos para preven\u00e7\u00e3o e detec\u00e7\u00e3o precoce de doen\u00e7as, urg\u00eancia e emerg\u00eancia e franquia. \u00a0O tema faz parte da Agenda Regulat\u00f3ria da ANS com previs\u00e3o de conclus\u00e3o no 4\u00ba trimestre de 2027.<\/p>\n<p align=\"justify\">O desafio regulat\u00f3rio atual consiste em estabelecer par\u00e2metros e salvaguardas que permitam conciliar a modera\u00e7\u00e3o da utiliza\u00e7\u00e3o potencialmente desnecess\u00e1ria com a prote\u00e7\u00e3o financeira e o acesso aos cuidados necess\u00e1rios, especialmente para pessoas com maior necessidade de utiliza\u00e7\u00e3o. Ao mesmo tempo, a regula\u00e7\u00e3o deve preservar espa\u00e7o para que as operadoras utilizem esses mecanismos na organiza\u00e7\u00e3o da assist\u00eancia e desenvolvam diferentes modelos de produtos.<\/p>\n<p align=\"justify\">O estudo conclui que o desafio est\u00e1 menos em criar novos mecanismos e mais em calibrar os instrumentos j\u00e1 conhecidos e criar as condi\u00e7\u00f5es institucionais para sua implementa\u00e7\u00e3o. Por isso, um novo marco regulat\u00f3rio deve combinar par\u00e2metros e salvaguardas, flexibilidade para diferentes modelos de produtos e organiza\u00e7\u00e3o da assist\u00eancia, bem como assegurar previsibilidade e transpar\u00eancia para os benefici\u00e1rios. O trabalho recomenda ainda monitoramento para avaliar os impactos e efeitos pr\u00e1ticos desses instrumentos financeiros sobre o cuidado aos benefici\u00e1rios e sobre o equil\u00edbrio do sistema de sa\u00fade.<\/p>\n<p align=\"justify\"><strong>LetraCerta Intelig\u00eancia em Comunica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0Franquia e coparticipa\u00e7\u00e3o podem contribuir para um uso mais eficiente dos planos de sa\u00fade, n\u00e3o apenas por moderar a utiliza\u00e7\u00e3o potencialmente desnecess\u00e1ria de servi\u00e7os, mas tamb\u00e9m por ajudar a direcionar o benefici\u00e1rio na escolha de onde e como buscar atendimento. 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