{"id":12243,"date":"2019-10-18T17:11:35","date_gmt":"2019-10-18T20:11:35","guid":{"rendered":"https:\/\/insurancecorp.com.br\/pt\/?p=12243"},"modified":"2019-11-07T17:52:45","modified_gmt":"2019-11-07T20:52:45","slug":"transporte-protegido-exige-seguranca-e-logistica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/insurancecorp.com.br\/pt\/2019\/10\/18\/transporte-protegido-exige-seguranca-e-logistica\/","title":{"rendered":"Transporte protegido exige seguran\u00e7a e log\u00edstica"},"content":{"rendered":"<p>Com a recupera\u00e7\u00e3o gradual da economia, um setor que pode assumir a posi\u00e7\u00e3o de protagonista no Brasil \u00e9 o seguro de transportes, que garante prote\u00e7\u00e3o para mercadorias e cargas que circulam em todo o territ\u00f3rio nacional. O detalhe, segundo informa\u00e7\u00f5es da Federa\u00e7\u00e3o Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), \u00e9 que esta modalidade de prote\u00e7\u00e3o est\u00e1 sendo procurada agora por empresas n\u00e3o habituadas a adotar tal provid\u00eancia.\u00a0At\u00e9 porque os indicadores da FenSeg s\u00e3o inquestion\u00e1veis: o mercado vive uma constante evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa carteira registrou crescimento de 14,7% em 2018, totalizando R$ 3,5 bilh\u00f5es no volume de pr\u00eamios. E de janeiro a maio deste ano, a arrecada\u00e7\u00e3o somou R$ 1,47 bilh\u00e3o, alta de 9,4%. As indeniza\u00e7\u00f5es atingiram a R$ 831 milh\u00f5es nos primeiros cinco meses de 2019, quase 16% a mais em igual per\u00edodo do ano anterior. E quem atua neste setor? \u201cHoje a maioria das operadoras de seguros de transportes \u00e9 formada por multinacionais\u201d, ressalta Paulo Alves, presidente da Comiss\u00e3o de Transportes da FenSeg.<\/p>\n<p>O superintendente de Transportes da Berkley Brasil Seguros, Thiago Tardone, ratifica o desempenho positivo da carteira em 2018 e 2019, com perspectivas de crescimento para o ano seguinte. Tardone justifica o cen\u00e1rio favor\u00e1vel \u00e0s a\u00e7\u00f5es efetivas em mat\u00e9ria de gerenciamento de riscos empreendidas pelas seguradoras, \u201cbem como um controle e melhor da rentabilidade dos clientes por parte das pr\u00f3prias companhias\u201d. Como consequ\u00eancia, os segurados passaram a ter interesse e participa\u00e7\u00e3o no que se refere ao resultado das opera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cO grande desafio para 2020 \u00e9 manter este cen\u00e1rio positivo uma vez que, com os resultados cada vez melhores, as condi\u00e7\u00f5es do mercado tendem a ser menores, diminuindo a margem de ganho\u201d, avalia o superintendente da Berkley. De qualquer forma, especialistas consideram que \u00e9 poss\u00edvel elevar ainda mais a participa\u00e7\u00e3o do segmento na economia, identificando neg\u00f3cios que possam fortalecer o mercado e dar amparo adequado aos riscos e necessidades dos segurados.<\/p>\n<p>Embora seja consider\u00e1vel o volume de pr\u00eamios em 2018, em termos percentuais o \u00edndice ultrapassa pouco mais de quatro pontos, ou seja, apenas 4,3%. Os seguros obrigat\u00f3rios de Responsabilidade Civil do Transportador Rodovi\u00e1rio de Carga (RCTR-C) e Transporte Nacional representaram, respectivamente, 1,4% e 1,2%. \u201cMas h\u00e1 condi\u00e7\u00f5es para um extraordin\u00e1rio e r\u00e1pido crescimento\u201d, confia o especialista em seguros internacionais, Aparecido Rocha Mendes.<\/p>\n<p>A carteira de Transportes poder\u00e1 se beneficiar de novas regula\u00e7\u00f5es aprovadas pela Susep (Superintend\u00eancia de Seguros Privados) e pela Ag\u00eancia Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Paulo Alves destaca a nova vers\u00e3o do MDF-e (Manifesto de Documentos Fiscais \u2013 Eletr\u00f4nico). Institu\u00eddo em 2010, trata-se de documento emitido e armazenado eletronicamente. Tornou-se obrigat\u00f3rio em 2014 e v\u00e1lido em todo o Pa\u00eds, emitido quando ocorre transporte de mercadorias. Para que o MDF-e seja validado \u00e9 necess\u00e1ria assinatura digital do emitente e a autoriza\u00e7\u00e3o da Secretaria da Fazenda.<\/p>\n<p>No entanto, o seguro de transportes no Brasil enfrenta alguns entraves que n\u00e3o podem ser superados somente com o ambiente favor\u00e1vel da economia. Os mais graves e preocupantes s\u00e3o a incid\u00eancia do roubo de cargas, o p\u00e9ssimo estado das rodovias, envelhecimento da frota e inefici\u00eancia das a\u00e7\u00f5es governamentais. As seguradoras precisam pensar em estrat\u00e9gias e formas para reduzir o risco do transporte sob pena de amargar graves preju\u00edzos.<\/p>\n<p>A preven\u00e7\u00e3o aos danos passa obrigatoriamente por um trabalho sistem\u00e1tico e bem equacionado de gerenciamento do risco. \u201cAl\u00e9m de prevenir sinistros, uma boa gest\u00e3o\u00a0contribui com a melhora nos \u00edndices de efici\u00eancia operacional do cliente\u201d, acrescenta o diretor de Transportes e Auto Frota da Sompo Seguros, Adriano Yonamine. Ele lembra que o acompanhamento regular e a ado\u00e7\u00e3o de mecanismos que impe\u00e7am a ocorr\u00eancia de sinistros impactam positivamente no resultado financeiro do segurado.<\/p>\n<p><strong>Marco regulat\u00f3rio<\/strong><\/p>\n<p>Em tramita\u00e7\u00e3o no Senado, o Projeto de Lei n\u00ba 75\/2018 ir\u00e1 regular o transporte rodovi\u00e1rio de cargas. O PL estabelece normas gerais sobre o setor, incluindo os seguros a ele relacionados e gerenciamento de riscos. O PL institui o Marco Regulat\u00f3rio do Transporte de Cargas, cujo texto disciplina quest\u00f5es, como frete, seguro, rela\u00e7\u00f5es contratuais e penalidades do C\u00f3digo de Tr\u00e2nsito Brasileiro. Para o head of Marine Brazil da AXA XL, Paulo Robson Alves, o marco regulat\u00f3rio \u201ccolocar\u00e1 o setor securit\u00e1rio diante de uma s\u00e9rie desafios, exigindo uma mudan\u00e7a de comportamento do mercado em geral\u201d.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 preciso aos players se adaptarem a uma nova realidade. Transformada em lei, a mat\u00e9ria exigir\u00e1 uma an\u00e1lise precisa do risco, ao se considerar os altos \u00edndices de roubos de cargas. \u201cAs determina\u00e7\u00f5es valem para caminhoneiros aut\u00f4nomos, empresas de opera\u00e7\u00e3o log\u00edstica, transportadores de carga pr\u00f3pria, cooperativas e empresas transportadoras de cargas e de valores, que ficam divididos de acordo com o n\u00famero de ve\u00edculos de carga e a capacidade de transporte em toneladas\u201d, aponta Thiago Tardone.<\/p>\n<p>A proposta do Marco Regulat\u00f3rio surge para atender reivindica\u00e7\u00e3o dos caminhoneiros, que paralisaram a economia do Pa\u00eds durante 11 dias de maio \u00faltimo. Tardone entende que algumas mudan\u00e7as no texto inicial sejam efetuadas \u201cpara que o impacto no Seguro de Transportes seja minimizado e que a comercializa\u00e7\u00e3o do mesmo n\u00e3o seja prejudicada\u201d. Aprovada essa regulamenta\u00e7\u00e3o, se tornar\u00e1 obrigat\u00f3ria a contrata\u00e7\u00e3o de seguros contra assaltos, furtos, roubos e danos \u00e0 carga. E tamb\u00e9m transportadoras dever\u00e3o contratar um seguro que cubra eventuais danos causados a terceiros.<\/p>\n<p><strong>Crimes no asfalto<\/strong><\/p>\n<p>A rigor, seguros que preservem cargas e ve\u00edculos no pa\u00eds n\u00e3o precisariam necessariamente de um marco regulat\u00f3rio para que pudessem ser contratados. Os n\u00fameros em si s\u00e3o alarmantes: segundo dados da Associa\u00e7\u00e3o Nacional do Transporte de Cargas e Log\u00edstica (NTC), as a\u00e7\u00f5es de gangues no asfalto teriam causado preju\u00edzos da ordem de R$ 2 bilh\u00f5es, somente em 2018. Informa\u00e7\u00f5es das Pol\u00edcias Civil, Militar e Rodovi\u00e1ria Federal apontam que, no ano passado, transportadores em todo o pa\u00eds sofreram mais de 20 mil ataques.<\/p>\n<p>\u201cO resgate da an\u00e1lise da log\u00edstica e defini\u00e7\u00e3o do Plano Diretor de Seguran\u00e7a para reduzir vulnerabilidades voltaram \u00e0 cena. A vis\u00e3o da cadeia de suprimentos, e n\u00e3o apenas da viagem em si (que envolve carga, motorista, ve\u00edculo e rota), passou a ser considerada nos projetos de seguran\u00e7a, com o uso da tecnologia, a\u00e7\u00f5es de intelig\u00eancia e controle de acesso \u00e0s informa\u00e7\u00f5es\u201d, explica o diretor do Clube Internacional de Seguros de Transportes (Cist) Alfredo Chaia. Ainda que dados preliminares tenham apontado queda de 15% dos roubos neste primeiro semestre, seguradoras, corretoras, resseguradoras e reguladoras de sinistros continuam preocupadas.<\/p>\n<p>O temor n\u00e3o \u00e9 infundado. Ataques a caminh\u00f5es que transportam alimentos, bebidas, eletrodom\u00e9sticos, cigarros, produtos farmac\u00eauticos, entre outros, saem paulatinamente do eixo S\u00e3o Paulo-Rio de Janeiro-Minas, que concentra 80% das ocorr\u00eancias, e buscam novas frentes em vastos territ\u00f3rios como os do Norte e Centro-Oeste. \u201cO crime ganha novos contornos com o uso da tecnologia. Precisamos de investimentos no setor de intelig\u00eancia para combater o crime organizado\u201d, ressaltou o presidente do Sindicato das\u00a0Empresas de Transporte de Cargas e Log\u00edstica no Estado de Goi\u00e1s (Setceg), Paulo Afonso Rodrigues da Silva Lustosa, em recente workshop sobre combate ao roubo e recepta\u00e7\u00e3o de cargas que aconteceu em Goi\u00e2nia.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que a regi\u00e3o Centro-Oeste tamb\u00e9m esteve na mira de salteadores, pois estados como Mato Grosso, Goi\u00e1s e Mato Grosso do Sul escoam as riquezas do agroneg\u00f3cio nacional. Dados mais recentes da Susep, sobre o total dos pr\u00eamios\u00a0 emitidos at\u00e9 setembro de 2019, apontaram, por exemplo, que Goi\u00e1s arrecadou R$ 45.323.204,59, representando um crescimento de 16,25% em compara\u00e7\u00e3o ao desempenho do ano anterior.\u00a0\u00a0Isso significa que o \u00edndice goiano superou o acumulado no Brasil, que exibiu 9,43% nos n\u00fameros da Susep. A performance de Goi\u00e1s\u00a0\u00e9 ainda mais expressiva se o c\u00e1lculo se referir apenas a setembro passado. A expans\u00e3o \u00e9 de 18,55% frente ao mesmo m\u00eas de 2018.<\/p>\n<p>Para combater a criminalidade, transportadoras e empresas de gerenciamento de risco investem em solu\u00e7\u00f5es. Uma delas \u00e9 a ado\u00e7\u00e3o de tecnologia via monitoramento de imagens nos ve\u00edculos dotados de um sistema de atua\u00e7\u00e3o direta nos ba\u00fas. Outra medida \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o de ba\u00fas repotencializados (BRP), modelos constru\u00eddos do zero (BCZ) e ba\u00fas chapeados, todos com portas antiarrombamento com fechaduras rand\u00f4micas, que s\u00f3 permitem a sua abertura com o envio de um c\u00f3digo da central para o motorista.<\/p>\n<p>J\u00e1 as seguradoras se esfor\u00e7am para atenuar os danos junto aos embarcadores e transportadores rodovi\u00e1rios. A Argo Seguros, por exemplo, oferece aos seus clientes manuais treinamentos para aperfei\u00e7oar os procedimentos de gerenciamento de risco. \u201cO risco bem gerenciado afasta as quadrilhas especializadas e os desvios, mas n\u00e3o elimina os roubos de oportunidade. Por este motivo, cada empresa tem um tratamento e recomenda\u00e7\u00f5es aderentes a sua opera\u00e7\u00e3o\u201d, pondera a gerente de Subscri\u00e7\u00e3o Cargo Marine da companhia, Mariana Miranda.<\/p>\n<p><strong>Infraestrutura e log\u00edstica<\/strong><\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 dono de umas maiores frotas de caminh\u00f5es do mundo. Cerca de 1,8 milh\u00e3o de ve\u00edculos, com idade m\u00e9dia de 12 anos, cortam estradas prec\u00e1rias e circulam por pontes e viadutos sem nenhuma manuten\u00e7\u00e3o, \u00e0 beira do colapso. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) calcula que pelo menos 50% dos acidentes registrados nas estradas federais envolvem ve\u00edculos antigos.<\/p>\n<p>N\u00e3o raro, caminh\u00f5es e carretas quebram ao longo do trajeto, seja pelo seu envelhecimento ou v\u00edtimas de buracos e eros\u00f5es na pista. A situa\u00e7\u00e3o se agrava na perpetua\u00e7\u00e3o da depend\u00eancia do modal rodovi\u00e1rio para o transporte de mercadorias. Os caminh\u00f5es s\u00e3o respons\u00e1veis pelo transporte de 82% da carga. Pior: apenas 12% da malha rodovi\u00e1ria nacional \u00e9 pavimentada, fruto da quase aus\u00eancia de investimentos por parte do governo.<\/p>\n<p>O gerente regional de seguros para a Am\u00e9rica Latina da Cargill, Carlos Branco, possui um estudo que avalia o uso dos modais rodovi\u00e1rio, ferrovi\u00e1rio, dutovias e hidrovias no transporte de produtos. As estat\u00edsticas s\u00e3o medidas quanto \u00e0 extens\u00e3o de vias em milhares de quil\u00f4metros de seis pa\u00edses. No caso das ferrovias, enquanto a R\u00fassia utiliza 80% de sua malha e os Estados Unidos 45%, o Brasil exibe apenas 15% da malha em funcionamento, com 30,6 mil km de vias implantadas. Destas 1.121 km s\u00e3o eletrificadas. O cen\u00e1rio da malha rodovi\u00e1ria \u00e9 obviamente desastroso.<\/p>\n<p>\u201cLevamos oito anos para pavimentar a primeira rodovia, em 1928\u201d, lembra o executivo. Se nos anos de 40 e 50, o governo investiu pesadamente, sobretudo na fase desenvolvimentista de JK, o mesmo n\u00e3o aconteceu a partir da d\u00e9cada de 70, com o advento do Plano Nacional de Via\u00e7\u00e3o. \u201cModernizamos muito pouco. O dinheiro do contribuinte n\u00e3o \u00e9 revertido para o sistema\u201d, advertiu.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos cinco anos, a \u00e1rea de transportes movimentou R$ 21,3 bilh\u00f5es. Al\u00e9m disso, os custos de transporte no Brasil atingem 7% do PIB, a estocagem, 4% e a armazenagem, 0,6%. \u201cEsses n\u00fameros evidenciam que os custos com a cadeia log\u00edstica impactam diretamente na economia do Pa\u00eds\u201d, alerta o diretor da \u00e1rea de Riscos e Seguros da DHL Logistics Brazil, Guilherme Brochmann. Em sua avalia\u00e7\u00e3o, se n\u00e3o fosse a implanta\u00e7\u00e3o de medidas de gerenciamento de riscos por parte das empresas, as perdas seriam muito maiores.<\/p>\n<p>Em meio a um quadro desolador, Carlos Branco aponta tr\u00eas desafios no s\u00e9culo 21, esp\u00e9cies de \u201cli\u00e7\u00f5es de casa\u201d para o governo federal: reduzir custos log\u00edsticos em mat\u00e9ria\u00a0de transportes, distribuir produtos com mais efici\u00eancia e rapidez e gerar emprego e renda em toda a cadeia de distribui\u00e7\u00e3o. Essa tr\u00edade inclui o mercado de seguros de transportes, que mostrou vigor e capacidade de crescimento, mas precisa que gargalos ligados \u00e0 infraestrutura e log\u00edstica sejam e superados.<\/p>\n<p>Por <em>Carlos Alberto Pacheco<\/em> &#8211; <strong>Revista Insurance Corp<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com a recupera\u00e7\u00e3o gradual da economia, um setor que pode assumir a posi\u00e7\u00e3o de protagonista no Brasil \u00e9 o seguro de transportes, que garante prote\u00e7\u00e3o para mercadorias e cargas que circulam em todo o territ\u00f3rio nacional. 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