Manter investimentos no exterior pode ser uma boa forma de diversificar a moeda de investimento, os tipos de empresas disponíveis e diminuir o risco ao que estamos expostos dentro do nosso próprio país. Esses são os principais motivos, pois o mercado de bolsa brasileiro ainda é muito pequeno, principalmente se comparado com o mercado americano.
Os ativos americanos representam por volta de 70% dos ativos disponíveis no mundo, enquanto o Brasil representa por volta de 1% e é bastante concentrado em commodities e empresas financeiras. Através do mercado internacional o investidor terá acesso a nichos que não temos em nossa bolsa de valores como biotecnologia e blockchain, por exemplo. O brasileiro consome muitos produtos estrangeiros, tais como o celular, o computador, o videogame, o relógio, os streamings, as viagens de férias, e, com os investimentos fora do país, poderá investir nestas empresas das quais já é cliente.
É muito importante mitigar o risco do país estando “investido” em outras áreas geográficas em momentos de crise ou instabilidade no Brasil, por exemplo. Proteger o patrimônio, ter uma reserva em “moeda forte”, como costumamos chamar, seja para planos de estudar ou morar no exterior, ou até mesmo para curtir viagens internacionais sem se preocupar com as altas do dólar.
Dito isso, a pergunta mais comum: com quanto posso começar a investir no exterior? De alguns anos para cá o mercado internacional deixou de ser um mercado apenas para milionários, e o pequeno investidor passou a ter acesso via plataformas digitais para investir no mercado americano geralmente a partir de U?100. Carteiras abaixo de U?100 mil costumam ser por auto atendimento: você até pode falar com uma central, mas não tem alguém ali cuidando diretamente dos seus investimentos.
Sobre quais cuidados ter ao investir em dólares: a principal dica é: checar a instituição. Como estamos falando de empresas domiciliadas fora do Brasil, o ideal é que estas empresas intermediárias ou tenham capital aberto em bolsa (possibilidade de checagem da empresa sem depender que ela própria te passe as informações), ou que tenha presença no Brasil, pois neste caso terá uma preocupação com o reputacional e qualquer problema que o investidor tenha no exterior, pode acionar a empresa aqui.
Se não for uma conta de autoatendimento, checar quem está te apresentando o produto é fundamental. Para indicar clientes para companhias no exterior, não necessariamente a pessoa precisa ter certificações da área financeira, e hoje em dia se mistura muito o papel do ‘influencer’ com o profissional da área de investimentos. O ideal é que a pessoa que está te orientando tenha conhecimento técnico para isto, por mais que vá dividir o atendimento com o profissional registrado no exterior. Através do site da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), você poderá checar se o profissional é registrado e qualificado para passar essas orientações para você.
Estar atento às movimentações do dólar e do mercado de forma geral faz parte dos cuidados – e não para adivinhar o melhor momento para entrar ou o pior momento para sair – mas sim fazer uma taxa média tanto do dólar quanto dos ativos que estiver comprando.
Além disso, a consistência torna-se uma premissa para esse tipo de investimento. Visão de longo prazo e diversificação são importantes para qualquer perfil de risco. Tem um estudo de mercado que mostra que nos últimos 10 anos se um investidor ficasse o tempo todo investido no S & P500, teria tido aproximadamente 62% de rentabilidade acumulada. Se tivesse perdido apenas os 10 melhores dias destes 10 anos, teria apenas 28%. Aguentar firmemente as oscilações de mercado é muito importante.
E por último: quais são os tipos de investimento que é possível ter no exterior? Depende dos valores investidos, mas o brasileiro pode investir em ações, índices, cripto, rendas fixas, fundos, produtos estruturados, carteiras administradas, entre outros. Vale ressaltar que os perfis de risco no exterior têm composições diferentes das brasileiras. Como os Estados Unidos e vários países da Europa tiveram longos períodos de taxas de juros muito baixas, mesmo nos perfis mais conservadores, a composição de renda variável está presente.
- por *Ale Boiani, CEO, gestora e fundadora do grupo financeiro 360iGroup
Ampoule Comunicação
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